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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CERVEJARIA ÓBVIO – PINDACITY – 11/09/2010

BANDAS: JANE DOPE / MAQUILADORA / EL EFECTO / VINCEBUZ / HIT CINEMA SHOW


“A de Arcade Fire
B de Beck
C de Hei Claris
Dá um teco desse mulek!


Tipo Giconda, ti-tipo Gioconda”

Foi nessa vibe “Cabeçuda” que a trip pra Pinda rolou suave ao encontro de mais um Festival Lumière, o terceiro de 2010 a acontecer na Cervejaria Óbvio – nossa casa no vale. E conforme o esperado, muita coisa aconteceu para todos os lados. Uma paz quase angelical pairava naquela esquina da Prudente de Moraes enquanto a carioca El Efecto passava o som e as primeiras almas chegavam para suas cervejas de sábado. A lua, belíssima por sinal, apontava no céu como se fosse “o gato que ri” com uma estrela brilhando forte logo abaixo do seu sorriso, impressão que remetia a um piercing no queixo da lua sorridente. Mor brisa.

Após longas e prazerosas dezenas de minutos de conversa com a amada sob esta imagem que mais parecia filme romântico ao invés de uma balada rocker, fomos advertidos que a Jane biscate abriria a sessão da noite, e qual não foi nossa surpresa ao olhar ao redor e sacar repentinamente que a casa já estava bem cheia, mesas de bilhar ocupadas, banheiros com filas mistas e o bar já sem lugar para apoiar o cotovelo! Arrastei a Fer pro backstage para afinar os instrumentos, quando na verdade a minha intenção era outra, mas isso é um pequeno detalhe.

“É o Goethe, é o Goethe, é o Goethe...
Li tudo do Leon Tolstoi, tudo do Leon Tolstoi, tudo do Leon Tolstoi
Surra de Schubert! Surra de Shubert!”


Um dos lances da noite já se deu logo de cara com a Jane Dope. Como o guita Eder não pintou pro rolê, a puta desencanou de vez e foi macho até o osso, resolvendo a fita como power-trio, e digo que funcionou pacas! O carinha esquisito que toca guita e canta e a batera que também canta (além de fazer um “maquilafreela”) se entrosaram de forma que pudessem dar de presente pra baixista Nanda uma despedida à altura da classe que esta sempre teve. Sim, foi o último show dela com a puta, fato que não impede que ela apareça em futuros shows... Enfim, fazer auto-análise é sempre uma pretensão ao egocentrismo, mas como isso nunca irá acontecer por aqui, apenas passo um recado da biscate: diz ela que já deu de 5, de 4 e adorou essa história de dar de 3! Mais cenas no próximo capítulo.


Outro lance que rolou na noite faz menção direta à Maquiladora que fez sua primeira apresentação também como power-trio (será uma tendência?) onde mostrou toda a versatilidade que esta formação mais enxuta permite num setlist rápido de 6 sons onde todo o material anterior fora suprimido em prol das novas composições, já visando este formato em trio, e isso parece ter feito muito bem para a banda, pois as músicas estão partindo para um terreno mais experimental onde elementos e divisões (principalmente rítmicas) que eram impensáveis há tempos atrás, aparecem como uma fluência natural no curriculum da banda. Tenho uma palavra simples que acaba sintetizando de uma forma bem mais prática o que está acontecendo com a Maquiladora: maturidade.


Enquanto uma galera contemplava as capturas dos fotógrafos Stéfano Martins, Carol Ribeiro e KBÇA Corneti que descansavam perto das mesas de bilhar, os rapazes sangue bom da carioca El Efecto preparavam o palco para o que estava por vir. Um verdadeiro caldeirão musical coberto de referências que vão do ska dos anos 60 ao barulho pesado dos anos 90, tudo isso temperado com muita cor de tonalidade sonora e conteúdo lírico 100% brasileiros. Agrega-se à formação clássica rocker (guita, baixo, batera) um cavaquinho, trompete e até flauta doce que fazem toda a diferença nos links em que são inseridos e tudo funciona perfeitamente bem na estética da banda. Foram muitíssimo bem recepcionados pelo público local que recebeu em troca ótimos souvenirs cariocas, que foram os sons da El Efecto.

Mais uma pausa pro chiclete quando a inacreditável Vincebuz solta suas primeiras notas que levam a epifania coletiva a entender finalmente a razão de se colocar dois bateristas, um de frente para o outro (de lado para a galera), utilizando-se do mesmo bumbo, no sutil palco da Óbvio. Arriscaria dizer que foi uma catarse controlada com base nas expressões que vi das pessoas presentes, tipo saca aquela vibe de assistir aquele filme lado bezão sabendo que o filme é bom demais, que o diretor é fodão, mas que você só não foi ainda porque não estava passando na sua cidade, saca? Porém Vincebuz é muito mais que isso, é (muito) peso, é (muita) viagem, é (muito) ruidinho, é (muito) efeito infernal, é (muito) bom enfim.


E fechando desta vez, a local Hit Cinema Show mostrou um set bem conciso com sua atual formação (são 6 malucos em cima do palco mermão, vai vendo...) onde seus sons de eflúvios hardcore e metal se misturam com naturalidade a expoentes máximos da boa música contemporânea, como no caso de Inner Vision do System of a Down, versão muito bem executada pelos Pindenses que inclusive estão com um trabalho bem bacana de vozes.



Pessoal de Mogi apareceu em peso, como também uma boa galera de Pinda, além de um povo de Sampa. No final é tudo “rockerada-irmão”. Graças a essa gurizada é que o Festival Lumière continuará firme e forte, rondando e sondando novos e tradicionais picos e bandas. Aí quando você menos espera já são 5 da manhã, tudo acertado, todos felizes e com sono, comendo o bom e velho x-salada noturno, quando repentinamente um trecho lhe vem à cabeça, e a risada sequelada será inevitável:

“Português herói, navegante é o Cabral
Para tudo terra a vista, o bonde segue sua nau
Segue sua nau, o bonde segue sua nau
Segue sua nau, o bonde geral na nau...”

quinta-feira, 8 de julho de 2010

BEQUADRO MOSTARDA & SELO SEM SÊ-LO APRESENTAM:


FESTIVAL LUMIÈRE NO CAMPUS 6

Bandas:
CONTE-ME UMA MENTIRA (Mogi)
UP BROTHERS (Sampa)
WALKIE TALKIES (Sampa)
JANE DOPE (Mogi)

Disco: Gabz (indie rock, modernetes, trash metal, punk e otto)

Fotografistas: Stéfano Martins / KBÇA Corneti / Carol Ribeiro

Dia 10/07/2010
A partir das 18h
Entrada: R$ 4 dinheiros
Campus 6 Rock Bar
Av. Prefeito Carlos Ferreira Lopes, 215 - Mogilar

segunda-feira, 5 de julho de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CERVEJARIA ÓBVIO – PINDA – 03 & 04 /07/2010

03/07/2010 - Sábado
Bandas: Xtreme Blues Dog / Seamus / Popstars Acid Killers / Bristol

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Stéfano Martins


Rumo a mais um Festival Lumière na sempre apazível Pindamonhangaba onde até no inverno a cidade se mostra quente - talvez reflexo da hospitalidade e cordialidade que sempre temos à nossa disposição quando lá - o clima que pairava no ar já era notado desde nossa chegada. Apesar de, logo de início, parecer que alguns imprevistos denotariam que tudo pudesse dar errado (as bandas Difuzz de Suzano e Refluxo de Sampa cancelando ambos suas apresentações nesta noite, praticamente em cima da hora), a gurizada do Coletivo Bequadro Mostarda não se fez de rogada e conseguiu – num mix de rápida articulação com uma boa gotinha de sorte - preencher o vácuo que acabara de formar-se. Assim a local Bristol entrou substituindo a banda suzanense enquanto a sensacional monobanda do Roger Duran aproveitou o vácuo deixado pelo duo paulistano que infelizmente não pode vir, e é com ela que tudo começou, já lá pelas 22h do sábado, primeiro dia de festival.

O grande barato da monobanda é sacar como a flexibilidade e versatilidade do músico é expressada e isso o Roger Duran faz com tranquilidade quando tudo fica calmo, e com um tesão desmedido da porra quando o lance pega fogo. Guita distorcida sob seus braços ligada no talo e rasgando melodias blueseiras, bumbo psicótico sendo esmurrado pelo seu pé direito numa constância macabra dos infernos, pé esquerdo comandando um chimbal alucinático como aquele feto desesperado que está louco pra sair do ventre materno clamando urgentemente por um fórceps, gaita louca e acelerada como uma locomotiva que entra em ação quando ele não está mirando o mic balançante com sua boca para acertá-lo em cheio com sua voz para nos alegrar com seus incríveis blues no melhor estilo John Spencer Blues Explosion – mas claro que isso trata-se apenas de uma minúscula referência. Essa é uma pequena descrição do que um set da monobanda Xtreme Blues Dog pode fazer com e por você. Absolutamente recomendável, nem precisa frisar.


Com a casa enchendo em progressão artimética, tivemos mais um dos ótimos sets dos anfitriões da Seamus brindado os ouvidos dos amigos e curiosos com uma impecabilidade sonora e precisão tamanha que dá gosto de se ouvir e de se ver. Tudo leva a crer que Hate Campaign (uma das favoritas da casa) entrou definitivamente no setlist dos caras que recheou ao lado de When I Quit My Lens e Modern Dance (essa levou a gurizada à piração) o set, aberto com Red e finalizado com uma incrível e devastadora Experiences with Broken Glass com direito a vários e prazerosos minutos de microfonias subsequentes e efeitos praticados ininterruptamente pelos 3 moços das cordas como se tudo fosse terminar ali (ou como se fossem meu sobrinho chapando e hipnotizado pelo wii, ou como se fossem eu mesmo - décadas atrás - chapado e hipnotizado pelo atari) enquanto o moço das peles se divertia nos pratos e contâncias como se fosse um Steve Shelley pindense. Biscoito fino.


Na discotecaria, Gabz Ronconi mostra-se especializado no que quer e gosta de tocar, antes e após todas as bandas. Os exemplos já foram dados em texto anterior e não repetirei-me aqui. Quer saber, vai lá! O fotografista e moço-de-fazer-retratos Stéfano Martins montou uma bela vernissage com obras suas e de KBÇA Corneti e Carol Ribeiro que atraiu a atenção de uma boa parcela de incautos – ou seja, missão cumprida.

Meia noite batendo no relógio, relativamente cedo ainda para uma balada rocker, queimando papinho ali embaixo com queridos até subir correndo ao ouvir os primeiros acordes da furiosamente incrível Popstars Acid Killers, que tem como seu frontman o mesmo Roger Duran que transpira rock por todo lado: seja enquanto canta, seja enquanto rasga sua guita, seja enquanto atropela tudo que encontra pela frente em sua performance arrasadora. Só faltou o mortal. Ou não? Aí o lance funciona assim: ao lado do Roger sua esposa Carol Doro com seu belíssimo baixão semi-acústico e seus longos cabelos loiros segura a onda que vem dele e de um também insandecido Renato Roitman que pode aqui ser facilmente retratado como o Keith Moon paulistano graças à influência certamente herdada. A porrada do PAK falou tão alto na Óbvio que fez com que simplesmente TODOS que estavam lá fora adentrassem ao ambiente fervilhante para verem com os próprios olhos o que era aquilo, enquanto o proprietário Edilson fazia ali uma sequência de fotos destinadas provavelmente ao site da Cervejaria. Sucesso total. Ao final do set, fiz questão de dizer aos 3 PAK’s que eles sim, eram roqueiros de verdade!


E encerrando o sábado numa vibe mais tranquila, a Bristol (que também ficou sujeita a quase não tocar no dia devido a falta do batera original, que foi ótimamente substituido por uma simpática – e alta - baterista) agradou bastante a galera que saiu de casa pra beber um bom róque de eflúvio noventistas em guitarras de riffs dissonantes, em violão de base por vezes ruidosas e por vezes calmas e em uma cozinha esperta, aveludadas por uma linha vocal melódica do ótimo garoto Rubens. Ou seja, saldo final super positivo para um festival que poderia – sim, poderia – ter dado errado pelas inconstâncias iniciais, porém superadas graças às bandas, ao pico e principalmente a galera. Do róque.




04 /07/2010 - Domingo
Bandas: Jane Dope / Maquiladora / Ike (Acting Alone) / Elísio-Sin Ayuda

Texto: Vinícus Pacheco
Fotos: Stéfano Martins

Segundo dia de Lumière e uma dúvida, como eu vou?
Tudo bem, só de descobrir que lá na Cervejaria Óbvio tinha amplificador de baixo já foi um alivio.

Ao chegar a Pinda, fui direto pra casa do queridão Ike, onde Pedrinho e Thami também flutuavam. Tomamos alguns drinks e partimos para a Óbvio. Ao chegar lá, me deparo com show diferentão da Jane Dope. De formação nova, sem Duda (Teclado) nem Marcelo (Guitarra), mas com Eder no controle das 6 cordas, eu cheguei bem na hora da Homeless Duck, que, aliás, é minha música preferida da Jane (A puta).

Com um formato acústico, Andréa com cajón, Regis na maravilhosa guitarra semi-acústica da Thais (Maquiladora) que estava com um reverb cremoooso, Nanda nas 4 cordas e Eder no Violão, fizeram uma apresentação muito gostosa de se ouvir/ver/estar-presente...

Na sequência veio a Maquiladora, em conversa com Henrique no dia anterior, soube meio por cima que a “bluezeira” ia comer solta. Na hora em que ouvi “Too Much Wine” foi o ápice feeling no show, arranjos que mudaram as músicas reinavam, mas todo mundo sabia que era Maquila... Genial.



Entre uma conversa enfumaçada aqui, uma DaDo Bier (que pasmem, estava 2,50) ali, o Ike com seu projeto (Acting Alone) veio acompanhado dos Seamus Pedrinho e Zé. Com sons que já estão gravados e estão no space do rapaz, o repertório foi bem legal, mandando ver Blackbird, creditada a Lennon-McCartney, que rolou no medley com uma de suas músicas, que por sinal estavam muito bem arranjadas com as linhas gordas de baixo do senhor Pedrinho e as baquetadas precisas de Zé Ronconi.


E pra fechar a noite, o que eu espero que não seja o último show da turnê Elísio-Sin Ayuda, subimos ao palco, e já era tarde. Mais de dez horas e agente no esquema mais “power” da noite, com distortion e tudo mais começamos com “Pra lá com nós” bem na moral... Com set curto de 6 músicas, foi bem rápido e ao encerrar com “Advice From A Grandmother Gull” sinto mais uma vez, com dever comprido.


O mais interessante desta noite foi ver duas bandas que usualmente fazem rock com distorções (Jane Dope + Maquiladora) sentarem nos banquinhos para uma vibe totalmente acústica enquanto os projetos que inicialmente são acústicos serem apresentados aqui com guitarras, distorções e formato de banda, como fizeram Ike e o Sin Ayuda (aqui muito bem ajudado pelos rapazes da Elísio).

Sábado agora tem mais Festival Lumière em Mogee dos Creizes. E ai o bicho volta a pegar.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR – TAUBATÉ - 19/07/2010
Bandas: Seamus / The Vain / Maquiladora / INI / Jane Dope

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Carol Ribeiro & Stefano Martins

Contrariando o gelo que vinha fazendo nas semanas anteriores, este sábado demonstrou-se mais brando em relação à quantidade de roupas que deveríamos levar para a sempre quente Taubatéxas. Chegar ao centro foi coisa fácil e pouco antes de aportarmos na Bebop, encontramos sentados na mesa de num bar de esquina os ilustres Fernando Lalli e Vinícius Pacheco que saboreavam um prazeroso malte dos deuses enquanto se encarregavam de nos informar que naquele instante os meninos imprestáveis da The Vain passavam o som no pico. Lá chegando, tratamos de logo descarregar os instrumentos e fazer o check-in na casa, que se trata de um sobrado que possui bela decoração rocker, mesas de bilhar (que me lembram da chegada triunfal de Stéfano, oh Sté...) e vários ambientes extremamente aconchegantes. Num deles, no piso superior, foi montada a vernissage dos fotógrafos Stéfano Martins, Carol Ribeiro e KBÇA Corneti que causou frisson durante um bom tempo, uma vez que antes do início das apresentações das bandas o movimento no cômodo designado fora intenso e repleto de roqueiros e roqueiras que apreciavam o belíssimo trabalho que os 3 fotógrafos vêm fazendo. Em dado momento, parecia que o bar inteiro estava lá em cima devido tamanha movimentação, tudo isso animado pela sempre incrível discotecagem do onipresente Gabriel Ronconi que flutua com extrema facilidade entre Slayer e Tom Waits, entre Dinosaur Jr e Motorhead, entre At The Drive-In e Otto...

E então com todas as bandas já presentes foi feito o sorteio da ordem das apresentações. Eram exatamente 23h quando o Seamus tratou logo de abrir a noite com um setlist arrebatador sob o comando de um inspiradíssimo Luis Meteoro & seu delay assassino onde pouco se deu tempo sequer para respirar. Tudo colado assim: Red, Modern Dance, A Year Without Breathing, Blame e Hate Campaign, inclusive essas 3 últimas costuradas da mesma maneira que escutamos no cd SOTCYL. Coisa fina. Coisa para ouvidos atentos. Fiquei sabendo que a banda não ensaia há tempos, mas não importa para nós - simples e mortais tietes - o que acontece lá dentro entre eles, única coisa que deixo aqui bem claro é que música boa e de qualidade “não vira” aqui nestes confins varonis do planeta. Seamus é for export, é pra Glastonbury, é pra Reading, é pra P.A. profi for real.


O mesmo podemos dizer da “relativamente nova” orientação sonora praticada pelos malucos da The Vain que tocaram na sequência seu rock dançante de pegada européia. Apesar da ótima qualidade de som encontrada na casa, fiquei imaginando como seria ouvir num “P.A.zão” de fest gringo as guitarras corrosivas da Guilty Pleasures, os efeitos viajeiras da Modern Kidnapper e a linha de baixo da incrível Gold, músicas que abriram o set da banda e integram seu recém lançado EP Modern Kidnapper. E mais, há tempos não ouvia uma abrasividade sonora tão grandiloquentemente noisy (essa terminologia foi a que mais se aproximou do que esses vândalos fizeram no palco) no encerramento do set deles. Coisa linda de morrer! (Vai aqui a dica para quem é de Mogi: neste sábado 26/06 eles estarão na Divina Comédia  absolutamente imperdível!)



Era então hora da Maquiladora mostrar para Taubaté os ótimos sons do seu My Silent Van Gogh como Loc9Nat, Walk Among, Cheap Perfume e Iceberg, sem se esquecer de clássicos como a alcoólatra Too Much Wine que sempre dá brecha para a roda de pogo estabilizar-se perante a galera que impreterivelmente fica de 4 com a qualidade sonora apresentada pela banda. Mais uma vez foi ouvida durante o show a máxima que já está se tornando corriqueira em apresentações Maquiláticas, a tal “DEPILA ELE!”... Um dia hei de descobrir quem foi o Zé que hypou esta máxima... Hora então de queimar um papinho “Con Ayuda” ali fora pra absorver e “tentar reparar” o dano causado pelas 3 bandas e, ao mesmo tempo, preparar terreno para o que havia de vir.


Talvez toda e qualquer palavra que eu tentar expressar aqui será redundante ou sequer conseguirá passar para você, nobre leitor, o que significa ter a 3 metros de você os sorocabanos da incrível INI alterando momentos extremamente barulhentos com uma calmaria que chega a ser muda, agregando-se doses cavalares de psicodelia (principalmente por parte da guita efervescida de Rick Rave) além de uma forte camada de testosterona fluindo por suas composições, sem ser metal nem punk nem crossover. Aliás, sem definições aqui, ok? A INI não foi feita para ser definida, apenas contemplada. Preferencialmente boquiaberto. Tente sobreviver após testemunhar, como disse - a 3 metros de você, uma sequência de Bandeira de Holerites, Do Abismo e o Abismo, Cru, Tché, Becos Ossos Meus e a sensacional performance de palco desses malucos! Eu piscava vorazmente tentando morder meu maxilar e me beliscava constantemente pra saber se ainda estava vivo até então... Minutos mais tarde, afinando instrumentos no backstage para o set da Jane Dope, estava completamente atordoado com a potência sonora da INI que, em minha opinião, resolveu a noite com sua sensacional Caixa do Macaco.


Foi tudo muito rápido, olhei no celular pra fazer o efeito louco da intro Dopióide e acusava 2h20, ajeitamos então os efeitos necessários praquela sensacional musiquinha sopa, diria trilha sonora de motel barato, seguida de uma breve bolha para abrir nossos serviços para os poucos amigos que ainda restavam na noite (a grande maioria estava lá indiscutivelmente para ver Seamus e The Vain - mas teve uma rapa de sortudo que ficou e pirou com Maquila e INI) incluindo aí as guerreiras Gigi, Camilona, o graaaande Gummer e nossa incrível ex Duda Itálica dos Teclados, acompanhados pelos INI sangue boníssimos, os irmãos Ronconi e mais uns 3 ou 4 sobreviventes da apresentação do INI. Para a Jane Dope foi interessante, nos sentimos como fazendo um ensaio aberto para amigos queridos, tocando os 4 sons do EP, versões remodeladas para a nova formação “de 4” (uiui) da Nap e Radiograve, além das novas Jane Dope: A Diamond On The Road, Oh Ann e MissJeeJee que deverão também fazer parte de nosso próximo trabalho de estúdio. Por ser o primeiro show com a formação nova “de 4” com nosso grande (enooorme) Eder Odorizzi, acreditamos ter cumprido nosso papel junto à puta Jane, apesar dos erros que são naturais e os palcos estão aí para isso mesmo, para improvisarmos a vida.



A volta para casa enfim ao som do novíssimo Heligoland pra acalmar a gurizada, o pitstop já tradicional no Frango Assando, os pedágios e serras, a entrega da rapeize e a chegada em casa no alvorecer dominical de uma fria manhã de junho não mentem: a satisfação e o zunido no ouvido adquiridos indicam que chegamos de mais um Festival Lumière. E julho está batendo em nossas portas com Lumière em Pinda na Choperia Óbvio em dose dupla (dias 03 e 04) e na semana seguinte em Mogi na Divina Comédia (dia 10). E então, vai ficar aí paradão?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma noite surpreendente...

08/05/2010
Festival Lumière na Livraria da Esquina


Uma imagem vale mais do que mil palavras!
...
Enquanto não temos a resenha do show de sábado na Livraria da Esquina, delicie-se com as imagens do festival no http://flickr.com/stefanomartins

quarta-feira, 28 de abril de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE no CIDADÃO DO MUNDO (São Caetano do Sul)

Efeitos noturnos do ABC

Texto por Cris Tavelin
Fotos por Daniele Guiral

Um lugar sem placas, com algumas indicações que fazem pobres motoristas caírem na contramão – São Caetano do Sul pode confundir as visitas, mas acho que ninguém se importou com isso no final da noite sábado. A pedida era o Festival Lumière, que aconteceria no Cidadão do Mundo.

E a movimentação começou cedo por lá. Oito horas da noite apareciam os primeiros gatos pingados – entre eles, eu – tomando drinks coloridos em copos de plástico. A rua parecia fazer parte de algum bairro residencial, sensação que destoava apenas com a pichação do muro indicando que “punks do ABC” estiveram por ali. Do outro lado da calçada, estrelas cintilantes nasciam de um possível curto circuito no poste.

Enquanto alguns bebiam e tentavam montar cubos mágicos do lado de fora, a Jane Dope começava a montar o palco para se apresentar. As linhas de guitarra/teclado/baixo, por vezes uníssonas aos vocais, e a variação no tempo das músicas – que remetiam a um grunge perdido no meio de batidas mais dançantes – foram aspectos presentes do início ao fim da apresentação.


Os detalhes mais interessantes ficaram por conta de uma das guitarras: um delay meio atmosférico deixava um som etéreo no ar, quase nostálgico. Lembrei-me de efeitos similares que o Bowie usava em alguns álbuns do final dos anos 70 / início dos 80, a visão de Christiane F. jogada na sarjeta e o barulho de sirenes percorrendo os cantos de uma Alemanha despedaçada por anos de guerras físicas e mentais.

A bateria, em questão de dinâmica, também se destacou, entre momentos de uma calmaria quase lullaby e outros de caixas e pratos "à volonté". Os vocais na Radiograve, que dividem em tom infantil, parecem mais ter vindo de algum filme trash dos anos 80 com crianças psicodélicas e bonecos assassinos (vide a capa do EP deles, talvez diga algo a respeito). Diria que a Jane carrega uma doçura pervertida em suas músicas, alternando momentos viajantes com partes mais simples e diretas.

Na sequencia, os efeitos, antes mais sutis na Jane, viriam com força no Seamus. Deixando de lado definições superficiais como “noise”, “guitar” e todas suas variações, a grandeza do show deles se deu na mescla de baixo e guitarra: enquanto os graves cantavam melodias intensas e bonitas, por um lado, a guitarra principal gritava, escandalosa, do outro. No meio disso tudo, a guitarra base dava apoio aos dois lados, junto à bateria.


É como se a mesma história fosse contada paralelamente, de formas diferentes, criando um contraste entre a angústia cheia de efeitos e a beleza melódica que lhe dava chão. Nessas horas penso que realmente esses dois conceitos – beleza e angústia - andam de mãos dadas.

Em determinado momento, o guitarrista larga as cordas e leva as mãos à cabeça. Na minha inocência de espectadora, achei que fosse algum tipo de performance esquizofrênica do tipo “onde estou”, mas era apenas a microfonia dando seus ataques corriqueiros aos que gostam de pedais de efeito. Nem tudo é tão romântico numa apresentação ao vivo...

Depois do abalo causado pela sonoridade um tanto sensível e áspera do Seamus, o Narcotic Love entrou com músicas mais dançantes, feitas de baixo, bateria e voz mais bases de guitarra e algumas baterias eletrônicas gravadas. Bom para manter o tempo, mas não consigo me empolgar com gravações executadas durante shows, falando especificamente de guitarras.


O mundo já é digital demais e eu sou mal humorada o suficiente para não aceitá-lo com minhas idéias retrógradas de anos 70 e toda aquela coisa de instrumentos espetados direto no amplificador, quase uma extensão das vísceras de quem os toca. Acho que nesse quesito se perde um certo torpor que existe quando uma pessoa empunha uma guitarra – e, cá pra nós, nunca se sabe realmente o que ela vai fazer com aquilo. Mas isso é só minha opinião. As pessoas bebiam e dançavam em frente ao palco, felizes da vida. Ponto pra eles.

Seguindo a noite, o Up Brothers entrou na sequencia com pop-rock cantado em português. No momento em que eles estavam no palco, eu me encontrava do lado de fora, numa conversa que não poderia deixar de ter (o mistério das noites de sábado embaixo de postes de luzes amarelas, existe algo melhor?).


Fui informada por minhas fontes exclusivas e bêbadas que a apresentação “destoou do som esquizóide das outras bandas (nada como adjetivos estranhos para resumir estilos musicais), porém honesto e muito bem executado. Uma palavra pra defini-los talvez seja ‘radiofônico’”. Achei coerente a definição, vou adotá-la.

Por último e para acabar com a expectativa gerada em torno de sua estreia nesse novo circuito (apenas nesse circuito, porque a banda já é de longa data) a Glassbox entra na sua caixa de vidro ambulante e executa sensações estranhas de dentro dela.


Detalhe admirável: são poucos power trios que realmente seguram a onda ao vivo, em qualquer estilo que seja. E quando se pensa nos arpejos incessantes das músicas deles, seguros apenas por um vocalista/guitarrista, isso é quase um milagre. O baterista sofreu até o fim - com ritmos baseados em viradas ininterruptas apoiadas nas peças graves, o tribal contrastava com o chorus e o flanger que não largavam as cordas da guitarra. Melodias percorriam o tempo ficando mais densas ou sutis com a voz aguda as empurrando para frente, num ritmo tenso e nada confortável – uma zona de reflexão incômoda e necessária. É, acho que eles chegaram onde queriam.

Com tantos estilos diferentes na mesma noite, que se casam de alguma forma estranha no emaranhado de sensações que transmitem, pode-se dizer que cada apresentação foi peculiar. E a conexão que se deu entre pessoas que passeiam por tantas vertentes do rock e, por vezes, têm concepções diversas sobre tantos assuntos, foi o ponto alto do evento. As ideias compartilhadas musicalmente e verbalmente devem reverberar muito além desse último final de semana.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Festival Lumière no Cidadão do Mundo

Neste sábado 24/04 o coletivo Bequadro Mostarda invade o ABC, mais precisamente São Caetano do Sul, levando seu intinerante Festival Lumière para o Cidadão do Mundo.


É aquela história, 5 bandas:
Glassbox (Sampa)
Jane Dope (Mogi)
Up Brothers (Sampa)
Seamus (Taubaté/Pinda)
+ Exposição de fotos:

A bagunça começa às 20h e custa só R$ 8,00... vai perder?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

RESENHA: Sábado interminável em MOGI por ZELENSKI e SELO SEM SÊ-LO

Nós íamos reproduzir aqui a resenha que nosso querido Z fez do último sábado, mas como o trampo que ele fez ficou muito bom, com várias fotos e vídeos, achamos melhor você ir diretamente lá no blog dele - o ótimo CAFÉ & VITROLAS - para conferir o que rolou, sob sua ótica, no Campus 6 e na sequência o 1º Festival Lumière na Divina Comédia. There goes our hero!

http://zelenskiexperience.blogspot.com/2010/04/embalos-de-sabado-noite.html

E na sequência, descobrimos também que nossos comparsas do SELO SEM SÊ-LO (os irmãos guerrilheiros Elmo & Eder Odorizzi) também disponibilizaram algumas palavras sobre este sábado interminável em Mogee Rock City, onde rolou evento feito por eles com as incríveis Topsy Turvy (Mogi) e Tijolo (Sorocaba) e na sequência o 1° Lumière em Mogi. Então olha!

http://blogsemse-lo.blogspot.com/2010/04/roqueando-fuleragem.html

Estás pronta para o delírio, baby?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RESENHA: LUMIÈRE FESTIVAL em MOGI por LA CARNE

Fotos: Kbça - http://www.flickr.com/iwannabebobgruen

LUMIÈRE FESTIVAL


Quando chegamos em Mogi, logo em frente ao Divina Comédia, já estavam Régis, os caras do Seamus, e mais uma pá de amigos que foram lá conferir a festa.
E os caras do Bequadro Mostarda fizeram uma divulgação firmeza do evento, teve matéria em jornal, site, lambe-lambe e o escambau.


E aí, pra alegria geral, só ia chegando gente. De todas as direções. Das vezes que tocamos ali no Divina, essa certamente foi a que teve casa mais cheia, galera insana (show com 5 bandas!) e ainda teve um público dos mais acolhedores.
Encontramos tantos amigos e tantas bandas ali que com certeza vai faltar alguém, nos perdoe. Tava o Elmo do Campus VI e seu irmão fã do parmêra (paciência, mas ele é gente boa...rs), o Gabriel (Hierofante Púrpura) que voltou recentemente de uma trip nervosa pela Irlanda, uns trutas de Sorocaba (isso mesmo, os caras foram lá pra Mogi, vai vendo), ah, e fora o zilhão de banda.

Lá dentro do bar, pra vc ter uma idéia, tava embassado pra andar, pra pedir uma cerveja, pra arrumar um canto e ouvir as bandas, desse jeito. Alem dos shows tava rolando discotecagem do Meteoro, barraquinha de venda de cds e uma senhora exposição de fotos.

Quem abriu os trabalhos foi o Jane Dope. O som deles é uma montanha-russa de referências psicodélicas, explosões punx, guitarras duelantes e letras espertas. De repente, um contrabaixo pop-cabulozo deixa um clima soturno no ar, como em “Sadness” e “H.A.T.”. Um teclado insano, pilotado pela incrível Duda. Violões evocando o caboclo-sete-flechas Johnny Cash. Pô, nessas a gente tava ouvindo, bebendo e teorizando: Mogi das Cruzes tem uma cena alternativa muito fudida, bandas com propostas sonoras inovadoras, diferentes do clichê “indie”. Uma safra de vinhos nobres, no caso: Jane Dope, Vício Primavera, Korovas, Accidentes, Hierofante Púrpura, Cafetones, Maquiladora, Conte-me uma Mentira, Cor Séria, Topsyturvy, etc, etc, etc.... Foda.

A Maquiladora é uma trêta à parte. O carisma ali é total. Nesse show até a contida (??) Thais teve a mãnha de descer e ir solar no meio da galera e voltar ovacionada pro palco. Vai vendo, tá folgada essa mina... As músicas novas já estão nas goelas da galera e fica muito bonito de se ver o show. A Thania tem sim a moral de carregar a platéia, e ainda junta o entrosamento fu-di-do da cozinha Andréa+Henrique e tudo vira um jogo sujo - pra quem tocar depois deles, no caso.

Depois veio o Jair e seu novo trabalho. Todo mundo sabe, nós do La Carne somos “viúvas” do Ludovic – a ex-banda de Jair Naves. Nunca escondemos isso. Lado a lado com os Ludovics, viajamos de van, bebemos e demos boas risadas, fizemos vários shows – Belo Horizonte, Franca, Curitiba, bares de SP, no Baal...todos eles foram muito marcantes pra nós. O Ludovic fez história. A mistura das desesperadas/delicadas letras do Jair, com os arranjos de uma banda que é(ra) pura pedrada - Hugo, Du, Zic, Febry, puutz... - e as viscerais performances ao vivo... Cara, sem rodeios: cada show nos marcou, e nos ensinou, coisas importantes a respeito daquilo que se convencionou chamar de rocknroll.

Por isso, estávamos intrigados – e ansiosos – com o show do nosso amigo e ídolo Jair Naves. Curiosos sobre o que iríamos ver e ouvir, já que “Araguari”, o novo trabalho dele, é bem diferente do resto da sua obra. (Permita-nos uma desavergonhada franqueza: chegamos a cogitar entre nós: “mas, e se a gente não gostar do show?”. Tipo: “Teremos coragem de escrever isso no Diário de Bordo? Na qualidade de “viúvas-carpideiras-do-Ludovic?”, o que dizer sobre “Araguari”?)

Chegou a hora. E o que se viu e ouviu em Mogi das Cruzes, no Divina Comédia, às 3 e pouco da manhã?

Primeiro: Jair tá muito bem acompanhado. Mark Paschoal, um baterista extraordinário. Ali Jr no baixo, mais teclados, guitarra, enfim, um timaço. Ao vivo, as canções ganham cores muito mais fortes que no CD, a temperatura delas se eleva às alturas, as letras ganham imagens claras – e de repente, a gente se vê sobrevoando essa tal cidade de Araguari, reconhecemos sua paisagem, suas ruas e seus personagens, guiados pela voz poderosa/cavernosa do “bardo”, que faz - agora sim - seu pessoal ajuste de contas com o passado.

Jair canta com a mesma paixão e entrega de sempre. A voz fica bem na frente, e podemos entender cada frase da letra. Os mesmos olhos tristes, o mesmo sorriso largo/envergonhado. Jair deixa nós e toda a platéia hipnotizados, totalmente de ouvidos ligados – ameaça explodir, e então, volta à calmaria do seu violão. Foi muito aplaudido, e retribuiu com agradecimentos sinceros. E La Nave Vá, Jair...


Depois, de longe, já que a gente tava afinando os instrumentos, vimos a muvuca se armar durante o show do Seamus. E mesmo tendo tocado com eles há duas semanas - sem querer soar repetitivo - as mesmas palavras do show anterior cabem aqui, gente pedindo sons, berrando os refrões arrasadores, dando socos no ar e inevitavelmente invadindo palco, “A Year without breathing” mais uma vez arrepiou, e daí pra ganhar a galera foi tranqüilo. Boe, Meteoro, Pedro e Zé tão tocando afiadíssimos. Mais um grande show! Seamus não é do Brasil. É do mundo.


Mas o que tava muito claro ali era o quanto que a galera tava a fim de ouvir as bandas e ver os shows. Todas, todas as bandas tiveram momentos no qual o público vinha junto.
E com a gente não foi diferente. Desde a hora que chegamos, descarregamos o carro, bebemos, tomamos ar, demos entrevista, batemos foto, ganhamos cds, conhecemos um monte de gente, enfim, fomos tratados com um carinho que é impossível descrever. E na hora do show, foi o seguinte: ele não sairá tão cedo das nossas cabeças.
Passavam das 5 da manhã e uma pequena multidão ali, urrando e sangrando com a gente, roubando microfone, se jogando pro alto, nos olhando no olho e cantando os nossos absurdos. Conclusão: não se tem como sair ileso de um show em Mogi. Já tocamos várias vezes lá, mas dessa vez foi inesquecível. Obrigado. Obrigado, essa palavra é tão pouco...



Depois ficamos embassando e vendo raiar o dia na frente do bar.

Ah, e a gente quer agradecer muito pelo convite do Bequadro Mostarda. E ó, essa empreitada que vocês estão entrando é aquele lance tipo uma misto de Samurai e malandro, saca? Pensar agindo e agir pensando. E aí, lá na frente, quando vocês estiverem de saco cheio de tudo, quando forem mandar tudo à inevitável merda, vocês verão que isso, de fazer o que vocês quiseram, levou vocês muito longe. Filosofia de vida fuckers, “Distraídos venceremos”.

FIM

sábado, 10 de abril de 2010

O FESTIVAL LUMIÈRE É DESTAQUE NO MOGI NEWS E NO DIÁRIO DE MOGI!

http://www.moginews.com.br/materias/?ided=799&idedito=6&idmat=59671

Variedades

Matéria publicada em 10/04/10 - Mogi News

Música Encontro reúne artistas e bandas independentesFestival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, é uma grande vitrine para músicos, fotógrafos e produtores culturais de outros segmentos

BÁRBARA BARBOSA
Da reportagem local
Divulgação

Intercâmbio: Evento contará com várias atrações musicais, a partir das 21 horasUma vitrine de bandas autorais, fotógrafos e artistas plásticos. Assim pode ser definido o Festival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, no Divina Comédia Clube, a partir das 21 horas. Trata-se de um festival itinerante, organizado pelo coletivo Bequadro Mostarda e que já percorreu Pindamonhangaba, São Paulo, São José dos Campos e São Caetano do Sul. No palco da casa noturna, estarão as bandas Jane Dope, Maquiladora, Seamus, La Carne e Jair Naves (antiga Ludovic).

Lançado há três anos nas cidades do Vale do Paraíba, o Lumière terá sua primeira edição em terras mogianas e, segundo um dos organizadores, Regis Vernissage, a ideia é que ocorra na cidade a cada três meses. Outros municípios, como Campinas, Sorocaba e Belo Horizonte,também negociam receber o festival."Como várias bandas e artistas mogianos já tocaram ou expuseramem Lumières anteriores, nada mais natural que Mogi ter entrado neste circuito", explica ele.

Vernissage, um dos produtoresdo Bequadro Mostarda, ressalta que o objetivo do coletivo, formado pelos grupos Jane Dope (Mogi/São Paulo), Seamus (Taubaté/Pindamonhangaba) e Maquiladora (Mogi/Suzano), é promover o intercâmbio de artistas e bandas autorais independentes.Apesar de o coletivo abrir espaçoa todas as vertentes musicais,a maioria das bandas participantes das ações é de rock. "São as que mais nos procuram para este intercâmbio", justifica.
O evento desta noite também contará com shows das convidadas La Carne, de Osasco, e Jair Naves, de São Paulo. Haverá exposição de fotografias e artes dos artistas Stéfano Martins, Oswaldo Kbça Cornetti e Thamires Rainbow, de Pindamonhangaba, e Carol Ribeiro, de São Paulo. O festival terá, ainda, discotecagem indie rock com o DJ Meteoro, de Taubaté.

A Divina Comédia Clube fica na rua Otto Unger, 158, no centro de Mogi. O valor da entrada para o Festival Lumière é de R$ 10.

quinta-feira, 11 de março de 2010

FESTIVAL LUMIERE - 6/3/10

Eu não imaginava, mas o show ia começar muito antes que eu esperava.



Sexta-feira, quando cheguei à BH, Jubão já ligou na pilha falando em levar o megafone, falando do horário que íamos chegar à SP, fantasiando o show e instigando-nos sobre o que estava para acontecer na cidade de Pindamonhangaba ( eu até brinquei com os meninos de Mogi das Cruzes que eu achava que nem existia essa cidade e que parecia uma piada, mas...)

Mais tarde Jubão me ligou de novo e falou que o Cris parecia mal, e aquilo me deixou receoso sobre o que poderia esperar de um show, onde um dos integrantes poderia estar chateado.

No fim da noite ainda da sexta, a secretária da PUC me ligou avisando que não teríamos aula no sábado pela manhã e isso fritou um pouco, porque eu tinha comprado uma passagem mais tarde e mais cara do que as passagens do Diogo e o Jubão, para estudar, mas a enrolação da facul me "entubou"... Teria que viajar sozinho! AFF

No sábado troquei as cordas da guitarra, limpei-a calmamente até a deixar brilhando, porque mais do que um show, seria o reencontro depois de um mês longe dos amigos e longe da música (minha grande paixão)...Troquei as músicas do mp4 e como trilha sonora além das influências (dredg, Oceansize...), tinha as trilhas para pensar na namorada, porque mais do que nunca eu queria estar com ela (na segunda comemoraríamos 2 anos de namoro).

O voo saiu potualmente às 15:00 e rapidamente estava em Guarulhos, dentro de 30 minutos, Henrique, Tânia, Thaís e Cris (fiquei surpreso quando vi os dois, mas achei bom) chegaram e rumamos à Pinda.

De Queens of the Stone Age até as piadas e longas gargalhadas durante a viagem, foram aproximadamente 2 horas de viagem até chegarmos a casa do José Ronconi, vulgo "Zé", que nos recebeu com muita hospitalidade.

Rumamos até o local do show!

Um pub muito bacana com uma área aberta para quem quisesse curtir o friozinho daquela noite, curtir as ruas um pouco rústics da cidade e uma área interna com um palco pequeno, mas muito bacana, uma guitarra sendo sorteada e um barzinho que vendia uma diversidade de cervejas, nunca tinha visto aquelas marcas.

Quando acomodamos as nossas coisas num quartinho reservado para as bandas, ficamos um bom tempo em banda conversando sobre a vida, sobre os projetos da banda, sobre as nossas posturas, nossas ações e sobre o repertório, a verdade é que estávamos com saudade uns dos outros, e aquela conversa foi uma espécie de terapia e grupo, que no fim da noite daria um resultado maior.

O Quarto Negro (http://www.myspace.com/quartonegro) começou bem cedo e terminou bem rápido, eles teriam outro show em SP, mas foi surpreendente, a banda tem muita energia e as músicas são um pouco dançantes, o teclado no som deu, na minha opinião, uma sonoridade que a diferenciou de muitas bandas indies do mesmo estilo.

Logo em seguida tocou a banda Vício Primavera (http://www.myspace.com/vicioprimavera) que demonstrou influência da boa música brasileira, como Chico Science e Nação Zumbi, um pouco de Arnaldo Antunes, reggae e muita distroção e presença de palco. Gostei muito do vocalista da banda, Michel, e sua postura de frontman carismático, que convida o público e participa ativamente da festa. Grande apresentação.

Quando Maquiladora (http://www.myspace.com/maquiladorayeah) foi ao palco além dos namorados babões (Cris e Zé) estavam os amigos babões que ajudaram na montagem dos instrumentos, acompanharam a passagem de som atentos e eu ainda me atrevi a pedir a Andréia: "toca Too Much Wine" que foi executada na parte final do show com uma energia que põe muito marmanjo de boca aberta. É até complicado falar das meninas, porque além de amigos somos fãs e cada show reserva uma surpresa diferente, é uma energia diferente, porque quanto mais me familiarizo com as músicas, mais me sinto a vontade e envolvido pelo som fervente das meninas. O Henrique no baixo deu à banda uma sonoridade muito mais interessante...Parabéns, camarada!

E então já vamos nós (http://myspace.com/bandacurved)! Antes de subir, é o nervosismo, é a conversa, o abraço e é o grito de guerra: PULAR, GRITAR, SUAR e SANGRAR e desta vez era mais do que uma proposta, era a nossa honra que estava posta a prova.

Montamos os instrumentos, passamos o som calmamente, mas quando a lapsteel soou aguda, a calma foi deixada de lado e fomos tomados por uma euforia que a cada pulo, a cada nota tentávamos enfeitiçar o público com a energia que estava explodindo em nós durante a execução das músicas.

Quando a microfonia soou alta e Diogo chamou "Action/reaction" faltou palco para tanto pulo e eu quase (como sempre) caiu sobre a bateria. Eram gritos raivosos, guitarras distorcidas, baixo pulsante e a bateria agressiva, mas desta vez também técnica do Diogo que ditaram o ritmo deste momento para frente.

"Reaching Mogee" estava para ser executada e nada melhor do que compartilhar esse momento com as pessoas que inspiraram a criar desta música, o pessoal de Mogi das Cruzes, e desta vez não decepcionamos a música funcionou como nunca e tê-la emendado à Shape parecia tão perfeito que deu até vontade de pular nos refrões. Foi ótimo!

Quando tocamos "Laura After", para mim foi o aúdio do show, a música tinha energia sobrando e nós estávamos precisando descarregar mais energia do que nunca... Quando entramos no último refrão quis ignorar o microfone e pular na galera, mas o bom senso me segurou.

Dai foram três pedradas: "Ain't no Fashion Enough", "Specially for You" e "No Pain, No Gain" quase em sequência, onde mesmo quase esgotados, sobrou suor e sangue (meu dedo ainda machucado, para variar).

O show acabou, eram muitos abraços, elogios e comentários...Foi um show especial, mas ainda tinha o Seamus.

O Seamus (http://www.myspace.com/sseamus) estava jogando em casa, e como todo bom time não decepcionou a torcida. O que me chamou a atenção foi que no fim, mesmo quem não era da cidade, como eu foi encantado por aquela sonoridade crua e visceral e pela postura dos integrantes da banda que em alguns momentos me lembrou R.E.M.. Cara eu fiquei impressionado com o que eu estava vendo e a cada música, eu ficava cada vez mais interessado e hoje quando ouço o disco da banda, sinto por não tê-las conhecido antes para poder cantar junto com o público que parecia enfeitiçado pelo trabalho daqueles caras!

Porra! que show do caralho! Foi um dia especial e há tempos eu não me sentia tão bem.

No domingo acordei cedo e rumei para casa. Fica no coração a saudade da cidade e da viagem, mas sei que não vão voltar oportunidades.

Eu só espero que isso aconteça o mais rápido possível e que as nossas namoradas e amigos como o dono deste blog estejam presentes, porque vocês são parte do nosso show!

ROCK ON!!!!!!!

João Coelho, dia 9 de março de 2010