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sexta-feira, 25 de junho de 2010

FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR – TAUBATÉ - 19/07/2010
Bandas: Seamus / The Vain / Maquiladora / INI / Jane Dope

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Carol Ribeiro & Stefano Martins

Contrariando o gelo que vinha fazendo nas semanas anteriores, este sábado demonstrou-se mais brando em relação à quantidade de roupas que deveríamos levar para a sempre quente Taubatéxas. Chegar ao centro foi coisa fácil e pouco antes de aportarmos na Bebop, encontramos sentados na mesa de num bar de esquina os ilustres Fernando Lalli e Vinícius Pacheco que saboreavam um prazeroso malte dos deuses enquanto se encarregavam de nos informar que naquele instante os meninos imprestáveis da The Vain passavam o som no pico. Lá chegando, tratamos de logo descarregar os instrumentos e fazer o check-in na casa, que se trata de um sobrado que possui bela decoração rocker, mesas de bilhar (que me lembram da chegada triunfal de Stéfano, oh Sté...) e vários ambientes extremamente aconchegantes. Num deles, no piso superior, foi montada a vernissage dos fotógrafos Stéfano Martins, Carol Ribeiro e KBÇA Corneti que causou frisson durante um bom tempo, uma vez que antes do início das apresentações das bandas o movimento no cômodo designado fora intenso e repleto de roqueiros e roqueiras que apreciavam o belíssimo trabalho que os 3 fotógrafos vêm fazendo. Em dado momento, parecia que o bar inteiro estava lá em cima devido tamanha movimentação, tudo isso animado pela sempre incrível discotecagem do onipresente Gabriel Ronconi que flutua com extrema facilidade entre Slayer e Tom Waits, entre Dinosaur Jr e Motorhead, entre At The Drive-In e Otto...

E então com todas as bandas já presentes foi feito o sorteio da ordem das apresentações. Eram exatamente 23h quando o Seamus tratou logo de abrir a noite com um setlist arrebatador sob o comando de um inspiradíssimo Luis Meteoro & seu delay assassino onde pouco se deu tempo sequer para respirar. Tudo colado assim: Red, Modern Dance, A Year Without Breathing, Blame e Hate Campaign, inclusive essas 3 últimas costuradas da mesma maneira que escutamos no cd SOTCYL. Coisa fina. Coisa para ouvidos atentos. Fiquei sabendo que a banda não ensaia há tempos, mas não importa para nós - simples e mortais tietes - o que acontece lá dentro entre eles, única coisa que deixo aqui bem claro é que música boa e de qualidade “não vira” aqui nestes confins varonis do planeta. Seamus é for export, é pra Glastonbury, é pra Reading, é pra P.A. profi for real.


O mesmo podemos dizer da “relativamente nova” orientação sonora praticada pelos malucos da The Vain que tocaram na sequência seu rock dançante de pegada européia. Apesar da ótima qualidade de som encontrada na casa, fiquei imaginando como seria ouvir num “P.A.zão” de fest gringo as guitarras corrosivas da Guilty Pleasures, os efeitos viajeiras da Modern Kidnapper e a linha de baixo da incrível Gold, músicas que abriram o set da banda e integram seu recém lançado EP Modern Kidnapper. E mais, há tempos não ouvia uma abrasividade sonora tão grandiloquentemente noisy (essa terminologia foi a que mais se aproximou do que esses vândalos fizeram no palco) no encerramento do set deles. Coisa linda de morrer! (Vai aqui a dica para quem é de Mogi: neste sábado 26/06 eles estarão na Divina Comédia  absolutamente imperdível!)



Era então hora da Maquiladora mostrar para Taubaté os ótimos sons do seu My Silent Van Gogh como Loc9Nat, Walk Among, Cheap Perfume e Iceberg, sem se esquecer de clássicos como a alcoólatra Too Much Wine que sempre dá brecha para a roda de pogo estabilizar-se perante a galera que impreterivelmente fica de 4 com a qualidade sonora apresentada pela banda. Mais uma vez foi ouvida durante o show a máxima que já está se tornando corriqueira em apresentações Maquiláticas, a tal “DEPILA ELE!”... Um dia hei de descobrir quem foi o Zé que hypou esta máxima... Hora então de queimar um papinho “Con Ayuda” ali fora pra absorver e “tentar reparar” o dano causado pelas 3 bandas e, ao mesmo tempo, preparar terreno para o que havia de vir.


Talvez toda e qualquer palavra que eu tentar expressar aqui será redundante ou sequer conseguirá passar para você, nobre leitor, o que significa ter a 3 metros de você os sorocabanos da incrível INI alterando momentos extremamente barulhentos com uma calmaria que chega a ser muda, agregando-se doses cavalares de psicodelia (principalmente por parte da guita efervescida de Rick Rave) além de uma forte camada de testosterona fluindo por suas composições, sem ser metal nem punk nem crossover. Aliás, sem definições aqui, ok? A INI não foi feita para ser definida, apenas contemplada. Preferencialmente boquiaberto. Tente sobreviver após testemunhar, como disse - a 3 metros de você, uma sequência de Bandeira de Holerites, Do Abismo e o Abismo, Cru, Tché, Becos Ossos Meus e a sensacional performance de palco desses malucos! Eu piscava vorazmente tentando morder meu maxilar e me beliscava constantemente pra saber se ainda estava vivo até então... Minutos mais tarde, afinando instrumentos no backstage para o set da Jane Dope, estava completamente atordoado com a potência sonora da INI que, em minha opinião, resolveu a noite com sua sensacional Caixa do Macaco.


Foi tudo muito rápido, olhei no celular pra fazer o efeito louco da intro Dopióide e acusava 2h20, ajeitamos então os efeitos necessários praquela sensacional musiquinha sopa, diria trilha sonora de motel barato, seguida de uma breve bolha para abrir nossos serviços para os poucos amigos que ainda restavam na noite (a grande maioria estava lá indiscutivelmente para ver Seamus e The Vain - mas teve uma rapa de sortudo que ficou e pirou com Maquila e INI) incluindo aí as guerreiras Gigi, Camilona, o graaaande Gummer e nossa incrível ex Duda Itálica dos Teclados, acompanhados pelos INI sangue boníssimos, os irmãos Ronconi e mais uns 3 ou 4 sobreviventes da apresentação do INI. Para a Jane Dope foi interessante, nos sentimos como fazendo um ensaio aberto para amigos queridos, tocando os 4 sons do EP, versões remodeladas para a nova formação “de 4” (uiui) da Nap e Radiograve, além das novas Jane Dope: A Diamond On The Road, Oh Ann e MissJeeJee que deverão também fazer parte de nosso próximo trabalho de estúdio. Por ser o primeiro show com a formação nova “de 4” com nosso grande (enooorme) Eder Odorizzi, acreditamos ter cumprido nosso papel junto à puta Jane, apesar dos erros que são naturais e os palcos estão aí para isso mesmo, para improvisarmos a vida.



A volta para casa enfim ao som do novíssimo Heligoland pra acalmar a gurizada, o pitstop já tradicional no Frango Assando, os pedágios e serras, a entrega da rapeize e a chegada em casa no alvorecer dominical de uma fria manhã de junho não mentem: a satisfação e o zunido no ouvido adquiridos indicam que chegamos de mais um Festival Lumière. E julho está batendo em nossas portas com Lumière em Pinda na Choperia Óbvio em dose dupla (dias 03 e 04) e na semana seguinte em Mogi na Divina Comédia (dia 10). E então, vai ficar aí paradão?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

RESENHA – FESTA SELO BEQUADRO SEM SÊ-LO MOSTARDA

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Kbça Corneti

Sábado intenso em Mogee Rock City no que concerne a especialidade aqui da casa, o rock independente. Após tudo o que aconteceu na cidade durante a Virada Cultural Paulista 2010, de bom (apresentação histórica do Mudhoney na cidade além de serem entrevistados pela Maquiladora, e esta, Jane Dope e Vício Primavera deliciando-se em palcos de estruturas profissionais, o Selo Sem Sê-lo fazendo abertura não-oficial no Campus 6) e de ruim (os fellas do C1M vendo seu set ser abruptamente reduzido em prol história da tal alvorada da festa do Divino, além da completamente desnecessária tesourada-mãe que os Chico Bentos da incrível e implacável Força Tática mogiana aplicaram ao projeto Guerrilha Gerador – fato já bastante discutido e fotografado por aí), era hora de continuarmos com a nossa moeda de troca, a ventilação de bandas e intercâmbio de casas, dessa vez com a Festa Selo Bequadro Sem Sê-lo Mostarda que teve formato semelhante a do Festvial Lumière com exposição dos fotógrafos KBÇA Corneti, Carol Ribeiro e Stéfano Martins e que teve espaço no nosso querido Campus 6.

Enquanto o DJ da noite e também batera do Cor-Séría Fabio Zelenski tocava ícones das nossas vidas (Afghan Whigs, Nada Surf, La Carne, Mentecapto, etc) a primeira banda da noite, a The Mercúrio de Campinas, já estava pronta para mostrar pela primeira vez seu set em Mogi. Músicas longas, etéreas e abrasivas chamaram a atenção pela forma em que eram executadas e pela quantidade de nuances que são propostas pela banda. O lance aqui em Mogi funciona mais ou menos assim: quando o público não gosta do som, eles ficam conversando e tal... quando o público gosta, impera o silêncio completo e total até que a última nota seja emitida da guitarra em prantos, e esta última atitude pôde-se notar nitidamente ao fim do set do The Mercúrio, formado por rapazes simpáticos que foram muitíssimo bem recebidos na cidade.


Macacos velhos de Mogi, os São Bernardenses da Espasmos do Braço Mecânico nem tiveram muito tempo para ficarem bêbados direito e já atacaram na sequência seu garage stoner grungeano ou seja lá o que isso venha a significar (mania besta de ficar criando rótulos!), o que importa é que há tempos eu não via um show desses doidos e, putaqueopariu, como é bom bater a cabeça ao som de “Eu que não quero nada”, “Carcaças Mórbidas”, “Quantos tijolos uma cabeça agüenta” e a sensacional “Posso Ajudar?” com seu esplêndido refrão que podemos com imensa facilidade dedicar para uma lista joselitos! Há tempos venho pensando numa coisa que devo fazer dentro de alguns anos: Os Espasmos são a banda que deverei chamar pra tocar na festa de 18 anos da minha filha mais velha... Diversão garantida!

Correndo contra o atraso do tempo, os mogianos do Seamus (sim, são mogianos, não sabia?), vestidos de um Bôe careca e um Meteoro desprovido de voz, tiveram o privilégio de fazer 2 setlists para a mesma noite, pois tocariam ainda na mesma madrugada na Divina Comédia. Tudo muito intenso e alto pra caralho na Red e melhor equalizado na Modern Dance em diante, tiveram o prazer de tocar para uma gurizada que estava na sede de vê-los em ação no Campus 6 – bem, esta foi a informação que me chegou até os ouvidos – e sem sombra de dúvidas não deixaram por menos, sendo massivamente ovacionados ao final da épica “Experiences with broken glass” que causou até a perda dos óculos do batera Zé Ronconi. Quem encontrá-los favor entrar em contato com este Blog ou no post abaixo.


Já a Maquiladora mostrou sons de seus cds My Silent Van Gogh e Parturition e pra variar causou furor nos meninos que sempre se empolgam com a vitalidade e entrosamento das meninas e começam loucamente a bramir frases do tipo: “A baixista é lésbica! Depila ela!”, o que definitivamente serve como força para que a banda detone cada vez mais em suas performances e composições. Inclusive um ponto notável é a quantidade de sons novos que a banda põe na roda. A quantidade de “Too Much Wine” que eu já havia bebido me deixou assim, meio lesado, a ponto de esquecer algo, mas tenho quase que absoluta certeza que tocaram 2 músicas novas. Comentários no post serão bem vindos.

E finalizando a história tivemos uma apresentação bizarra da Jane Dope, diria esquisitona, pois foi o primeiro show sem a tecladista Duda que saiu da banda na semana passada, e ao mesmo tempo o último show com o guita Marceleza e o primeiro com o Eder Odorizzi que está entrando no lugar do Marcelo. Pode ser que tenha ficado esquisito aquele bando de 3 guitarras, na verdade minha opinião é um tanto quanto suspeita, mas temos que concordar que o show foi cheio de imprevistos (cordas quebradas – agradecimento especial ao Rafael Espasmos que emprestou sua guita, baixo que se recusou a funcionar quando devia, voz que se recusou a cantar afinadamente, enfim...) e no final das contas, apesar do atraso no horário, tudo acabou funcionando razoavelmente bem.

Era hora então de fechar o Campus 6 e partir pra Divina Comédia descansar um pouco e curtir o som do Alarde e a segunda parte do setlist do Seamus (Half-less Love veio, Hate Campaign não), que serviu pra levantar quem considerava-se cansado e já pensava em ir pra casa, mas aí já é outra história que só terminou de fato com o gélido sol da manhã dominical deste declínio de maio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Em parceria com o Selo Sem Sê-lo, O Coletivo Bequadro Mostarda está realizando nosso primeiro evento no queridíssimo Campus VI, que contará com a presença das bandas:
Seamus, Espasmos do Braço Mecânico (ABC), Maquiladora, The Mercúrio (Campinas) e Jane Dope.

Teremos também a já tradicional exposição de fotos, cujos anfitriões serão os já mogianos Stefano Martins, Kbça Corneti e Carol Ribeiro, que estarão retratando também as imagens deste sublime acontecimento!

E atrás das Dê-Jotas estará nosso parceiro de noites e furadas mogianas, Zelenski, tocando as músicas que marcaram suas vidas!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE no CIDADÃO DO MUNDO (São Caetano do Sul)

Efeitos noturnos do ABC

Texto por Cris Tavelin
Fotos por Daniele Guiral

Um lugar sem placas, com algumas indicações que fazem pobres motoristas caírem na contramão – São Caetano do Sul pode confundir as visitas, mas acho que ninguém se importou com isso no final da noite sábado. A pedida era o Festival Lumière, que aconteceria no Cidadão do Mundo.

E a movimentação começou cedo por lá. Oito horas da noite apareciam os primeiros gatos pingados – entre eles, eu – tomando drinks coloridos em copos de plástico. A rua parecia fazer parte de algum bairro residencial, sensação que destoava apenas com a pichação do muro indicando que “punks do ABC” estiveram por ali. Do outro lado da calçada, estrelas cintilantes nasciam de um possível curto circuito no poste.

Enquanto alguns bebiam e tentavam montar cubos mágicos do lado de fora, a Jane Dope começava a montar o palco para se apresentar. As linhas de guitarra/teclado/baixo, por vezes uníssonas aos vocais, e a variação no tempo das músicas – que remetiam a um grunge perdido no meio de batidas mais dançantes – foram aspectos presentes do início ao fim da apresentação.


Os detalhes mais interessantes ficaram por conta de uma das guitarras: um delay meio atmosférico deixava um som etéreo no ar, quase nostálgico. Lembrei-me de efeitos similares que o Bowie usava em alguns álbuns do final dos anos 70 / início dos 80, a visão de Christiane F. jogada na sarjeta e o barulho de sirenes percorrendo os cantos de uma Alemanha despedaçada por anos de guerras físicas e mentais.

A bateria, em questão de dinâmica, também se destacou, entre momentos de uma calmaria quase lullaby e outros de caixas e pratos "à volonté". Os vocais na Radiograve, que dividem em tom infantil, parecem mais ter vindo de algum filme trash dos anos 80 com crianças psicodélicas e bonecos assassinos (vide a capa do EP deles, talvez diga algo a respeito). Diria que a Jane carrega uma doçura pervertida em suas músicas, alternando momentos viajantes com partes mais simples e diretas.

Na sequencia, os efeitos, antes mais sutis na Jane, viriam com força no Seamus. Deixando de lado definições superficiais como “noise”, “guitar” e todas suas variações, a grandeza do show deles se deu na mescla de baixo e guitarra: enquanto os graves cantavam melodias intensas e bonitas, por um lado, a guitarra principal gritava, escandalosa, do outro. No meio disso tudo, a guitarra base dava apoio aos dois lados, junto à bateria.


É como se a mesma história fosse contada paralelamente, de formas diferentes, criando um contraste entre a angústia cheia de efeitos e a beleza melódica que lhe dava chão. Nessas horas penso que realmente esses dois conceitos – beleza e angústia - andam de mãos dadas.

Em determinado momento, o guitarrista larga as cordas e leva as mãos à cabeça. Na minha inocência de espectadora, achei que fosse algum tipo de performance esquizofrênica do tipo “onde estou”, mas era apenas a microfonia dando seus ataques corriqueiros aos que gostam de pedais de efeito. Nem tudo é tão romântico numa apresentação ao vivo...

Depois do abalo causado pela sonoridade um tanto sensível e áspera do Seamus, o Narcotic Love entrou com músicas mais dançantes, feitas de baixo, bateria e voz mais bases de guitarra e algumas baterias eletrônicas gravadas. Bom para manter o tempo, mas não consigo me empolgar com gravações executadas durante shows, falando especificamente de guitarras.


O mundo já é digital demais e eu sou mal humorada o suficiente para não aceitá-lo com minhas idéias retrógradas de anos 70 e toda aquela coisa de instrumentos espetados direto no amplificador, quase uma extensão das vísceras de quem os toca. Acho que nesse quesito se perde um certo torpor que existe quando uma pessoa empunha uma guitarra – e, cá pra nós, nunca se sabe realmente o que ela vai fazer com aquilo. Mas isso é só minha opinião. As pessoas bebiam e dançavam em frente ao palco, felizes da vida. Ponto pra eles.

Seguindo a noite, o Up Brothers entrou na sequencia com pop-rock cantado em português. No momento em que eles estavam no palco, eu me encontrava do lado de fora, numa conversa que não poderia deixar de ter (o mistério das noites de sábado embaixo de postes de luzes amarelas, existe algo melhor?).


Fui informada por minhas fontes exclusivas e bêbadas que a apresentação “destoou do som esquizóide das outras bandas (nada como adjetivos estranhos para resumir estilos musicais), porém honesto e muito bem executado. Uma palavra pra defini-los talvez seja ‘radiofônico’”. Achei coerente a definição, vou adotá-la.

Por último e para acabar com a expectativa gerada em torno de sua estreia nesse novo circuito (apenas nesse circuito, porque a banda já é de longa data) a Glassbox entra na sua caixa de vidro ambulante e executa sensações estranhas de dentro dela.


Detalhe admirável: são poucos power trios que realmente seguram a onda ao vivo, em qualquer estilo que seja. E quando se pensa nos arpejos incessantes das músicas deles, seguros apenas por um vocalista/guitarrista, isso é quase um milagre. O baterista sofreu até o fim - com ritmos baseados em viradas ininterruptas apoiadas nas peças graves, o tribal contrastava com o chorus e o flanger que não largavam as cordas da guitarra. Melodias percorriam o tempo ficando mais densas ou sutis com a voz aguda as empurrando para frente, num ritmo tenso e nada confortável – uma zona de reflexão incômoda e necessária. É, acho que eles chegaram onde queriam.

Com tantos estilos diferentes na mesma noite, que se casam de alguma forma estranha no emaranhado de sensações que transmitem, pode-se dizer que cada apresentação foi peculiar. E a conexão que se deu entre pessoas que passeiam por tantas vertentes do rock e, por vezes, têm concepções diversas sobre tantos assuntos, foi o ponto alto do evento. As ideias compartilhadas musicalmente e verbalmente devem reverberar muito além desse último final de semana.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RESENHA: LUMIÈRE FESTIVAL em MOGI por LA CARNE

Fotos: Kbça - http://www.flickr.com/iwannabebobgruen

LUMIÈRE FESTIVAL


Quando chegamos em Mogi, logo em frente ao Divina Comédia, já estavam Régis, os caras do Seamus, e mais uma pá de amigos que foram lá conferir a festa.
E os caras do Bequadro Mostarda fizeram uma divulgação firmeza do evento, teve matéria em jornal, site, lambe-lambe e o escambau.


E aí, pra alegria geral, só ia chegando gente. De todas as direções. Das vezes que tocamos ali no Divina, essa certamente foi a que teve casa mais cheia, galera insana (show com 5 bandas!) e ainda teve um público dos mais acolhedores.
Encontramos tantos amigos e tantas bandas ali que com certeza vai faltar alguém, nos perdoe. Tava o Elmo do Campus VI e seu irmão fã do parmêra (paciência, mas ele é gente boa...rs), o Gabriel (Hierofante Púrpura) que voltou recentemente de uma trip nervosa pela Irlanda, uns trutas de Sorocaba (isso mesmo, os caras foram lá pra Mogi, vai vendo), ah, e fora o zilhão de banda.

Lá dentro do bar, pra vc ter uma idéia, tava embassado pra andar, pra pedir uma cerveja, pra arrumar um canto e ouvir as bandas, desse jeito. Alem dos shows tava rolando discotecagem do Meteoro, barraquinha de venda de cds e uma senhora exposição de fotos.

Quem abriu os trabalhos foi o Jane Dope. O som deles é uma montanha-russa de referências psicodélicas, explosões punx, guitarras duelantes e letras espertas. De repente, um contrabaixo pop-cabulozo deixa um clima soturno no ar, como em “Sadness” e “H.A.T.”. Um teclado insano, pilotado pela incrível Duda. Violões evocando o caboclo-sete-flechas Johnny Cash. Pô, nessas a gente tava ouvindo, bebendo e teorizando: Mogi das Cruzes tem uma cena alternativa muito fudida, bandas com propostas sonoras inovadoras, diferentes do clichê “indie”. Uma safra de vinhos nobres, no caso: Jane Dope, Vício Primavera, Korovas, Accidentes, Hierofante Púrpura, Cafetones, Maquiladora, Conte-me uma Mentira, Cor Séria, Topsyturvy, etc, etc, etc.... Foda.

A Maquiladora é uma trêta à parte. O carisma ali é total. Nesse show até a contida (??) Thais teve a mãnha de descer e ir solar no meio da galera e voltar ovacionada pro palco. Vai vendo, tá folgada essa mina... As músicas novas já estão nas goelas da galera e fica muito bonito de se ver o show. A Thania tem sim a moral de carregar a platéia, e ainda junta o entrosamento fu-di-do da cozinha Andréa+Henrique e tudo vira um jogo sujo - pra quem tocar depois deles, no caso.

Depois veio o Jair e seu novo trabalho. Todo mundo sabe, nós do La Carne somos “viúvas” do Ludovic – a ex-banda de Jair Naves. Nunca escondemos isso. Lado a lado com os Ludovics, viajamos de van, bebemos e demos boas risadas, fizemos vários shows – Belo Horizonte, Franca, Curitiba, bares de SP, no Baal...todos eles foram muito marcantes pra nós. O Ludovic fez história. A mistura das desesperadas/delicadas letras do Jair, com os arranjos de uma banda que é(ra) pura pedrada - Hugo, Du, Zic, Febry, puutz... - e as viscerais performances ao vivo... Cara, sem rodeios: cada show nos marcou, e nos ensinou, coisas importantes a respeito daquilo que se convencionou chamar de rocknroll.

Por isso, estávamos intrigados – e ansiosos – com o show do nosso amigo e ídolo Jair Naves. Curiosos sobre o que iríamos ver e ouvir, já que “Araguari”, o novo trabalho dele, é bem diferente do resto da sua obra. (Permita-nos uma desavergonhada franqueza: chegamos a cogitar entre nós: “mas, e se a gente não gostar do show?”. Tipo: “Teremos coragem de escrever isso no Diário de Bordo? Na qualidade de “viúvas-carpideiras-do-Ludovic?”, o que dizer sobre “Araguari”?)

Chegou a hora. E o que se viu e ouviu em Mogi das Cruzes, no Divina Comédia, às 3 e pouco da manhã?

Primeiro: Jair tá muito bem acompanhado. Mark Paschoal, um baterista extraordinário. Ali Jr no baixo, mais teclados, guitarra, enfim, um timaço. Ao vivo, as canções ganham cores muito mais fortes que no CD, a temperatura delas se eleva às alturas, as letras ganham imagens claras – e de repente, a gente se vê sobrevoando essa tal cidade de Araguari, reconhecemos sua paisagem, suas ruas e seus personagens, guiados pela voz poderosa/cavernosa do “bardo”, que faz - agora sim - seu pessoal ajuste de contas com o passado.

Jair canta com a mesma paixão e entrega de sempre. A voz fica bem na frente, e podemos entender cada frase da letra. Os mesmos olhos tristes, o mesmo sorriso largo/envergonhado. Jair deixa nós e toda a platéia hipnotizados, totalmente de ouvidos ligados – ameaça explodir, e então, volta à calmaria do seu violão. Foi muito aplaudido, e retribuiu com agradecimentos sinceros. E La Nave Vá, Jair...


Depois, de longe, já que a gente tava afinando os instrumentos, vimos a muvuca se armar durante o show do Seamus. E mesmo tendo tocado com eles há duas semanas - sem querer soar repetitivo - as mesmas palavras do show anterior cabem aqui, gente pedindo sons, berrando os refrões arrasadores, dando socos no ar e inevitavelmente invadindo palco, “A Year without breathing” mais uma vez arrepiou, e daí pra ganhar a galera foi tranqüilo. Boe, Meteoro, Pedro e Zé tão tocando afiadíssimos. Mais um grande show! Seamus não é do Brasil. É do mundo.


Mas o que tava muito claro ali era o quanto que a galera tava a fim de ouvir as bandas e ver os shows. Todas, todas as bandas tiveram momentos no qual o público vinha junto.
E com a gente não foi diferente. Desde a hora que chegamos, descarregamos o carro, bebemos, tomamos ar, demos entrevista, batemos foto, ganhamos cds, conhecemos um monte de gente, enfim, fomos tratados com um carinho que é impossível descrever. E na hora do show, foi o seguinte: ele não sairá tão cedo das nossas cabeças.
Passavam das 5 da manhã e uma pequena multidão ali, urrando e sangrando com a gente, roubando microfone, se jogando pro alto, nos olhando no olho e cantando os nossos absurdos. Conclusão: não se tem como sair ileso de um show em Mogi. Já tocamos várias vezes lá, mas dessa vez foi inesquecível. Obrigado. Obrigado, essa palavra é tão pouco...



Depois ficamos embassando e vendo raiar o dia na frente do bar.

Ah, e a gente quer agradecer muito pelo convite do Bequadro Mostarda. E ó, essa empreitada que vocês estão entrando é aquele lance tipo uma misto de Samurai e malandro, saca? Pensar agindo e agir pensando. E aí, lá na frente, quando vocês estiverem de saco cheio de tudo, quando forem mandar tudo à inevitável merda, vocês verão que isso, de fazer o que vocês quiseram, levou vocês muito longe. Filosofia de vida fuckers, “Distraídos venceremos”.

FIM

sábado, 10 de abril de 2010

O FESTIVAL LUMIÈRE É DESTAQUE NO MOGI NEWS E NO DIÁRIO DE MOGI!

http://www.moginews.com.br/materias/?ided=799&idedito=6&idmat=59671

Variedades

Matéria publicada em 10/04/10 - Mogi News

Música Encontro reúne artistas e bandas independentesFestival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, é uma grande vitrine para músicos, fotógrafos e produtores culturais de outros segmentos

BÁRBARA BARBOSA
Da reportagem local
Divulgação

Intercâmbio: Evento contará com várias atrações musicais, a partir das 21 horasUma vitrine de bandas autorais, fotógrafos e artistas plásticos. Assim pode ser definido o Festival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, no Divina Comédia Clube, a partir das 21 horas. Trata-se de um festival itinerante, organizado pelo coletivo Bequadro Mostarda e que já percorreu Pindamonhangaba, São Paulo, São José dos Campos e São Caetano do Sul. No palco da casa noturna, estarão as bandas Jane Dope, Maquiladora, Seamus, La Carne e Jair Naves (antiga Ludovic).

Lançado há três anos nas cidades do Vale do Paraíba, o Lumière terá sua primeira edição em terras mogianas e, segundo um dos organizadores, Regis Vernissage, a ideia é que ocorra na cidade a cada três meses. Outros municípios, como Campinas, Sorocaba e Belo Horizonte,também negociam receber o festival."Como várias bandas e artistas mogianos já tocaram ou expuseramem Lumières anteriores, nada mais natural que Mogi ter entrado neste circuito", explica ele.

Vernissage, um dos produtoresdo Bequadro Mostarda, ressalta que o objetivo do coletivo, formado pelos grupos Jane Dope (Mogi/São Paulo), Seamus (Taubaté/Pindamonhangaba) e Maquiladora (Mogi/Suzano), é promover o intercâmbio de artistas e bandas autorais independentes.Apesar de o coletivo abrir espaçoa todas as vertentes musicais,a maioria das bandas participantes das ações é de rock. "São as que mais nos procuram para este intercâmbio", justifica.
O evento desta noite também contará com shows das convidadas La Carne, de Osasco, e Jair Naves, de São Paulo. Haverá exposição de fotografias e artes dos artistas Stéfano Martins, Oswaldo Kbça Cornetti e Thamires Rainbow, de Pindamonhangaba, e Carol Ribeiro, de São Paulo. O festival terá, ainda, discotecagem indie rock com o DJ Meteoro, de Taubaté.

A Divina Comédia Clube fica na rua Otto Unger, 158, no centro de Mogi. O valor da entrada para o Festival Lumière é de R$ 10.

quarta-feira, 17 de março de 2010

DIA 27 TEM MAIS EVENTO DO BEQUADRO!!


Dessa vez a invasão mostarda vai ser em São José liderada por La Carne, Seamus e Maquiladora!!

IMPERDÍVEL!

[Arte de Luiz Meteoro]

quinta-feira, 11 de março de 2010

FESTIVAL LUMIERE - 6/3/10

Eu não imaginava, mas o show ia começar muito antes que eu esperava.



Sexta-feira, quando cheguei à BH, Jubão já ligou na pilha falando em levar o megafone, falando do horário que íamos chegar à SP, fantasiando o show e instigando-nos sobre o que estava para acontecer na cidade de Pindamonhangaba ( eu até brinquei com os meninos de Mogi das Cruzes que eu achava que nem existia essa cidade e que parecia uma piada, mas...)

Mais tarde Jubão me ligou de novo e falou que o Cris parecia mal, e aquilo me deixou receoso sobre o que poderia esperar de um show, onde um dos integrantes poderia estar chateado.

No fim da noite ainda da sexta, a secretária da PUC me ligou avisando que não teríamos aula no sábado pela manhã e isso fritou um pouco, porque eu tinha comprado uma passagem mais tarde e mais cara do que as passagens do Diogo e o Jubão, para estudar, mas a enrolação da facul me "entubou"... Teria que viajar sozinho! AFF

No sábado troquei as cordas da guitarra, limpei-a calmamente até a deixar brilhando, porque mais do que um show, seria o reencontro depois de um mês longe dos amigos e longe da música (minha grande paixão)...Troquei as músicas do mp4 e como trilha sonora além das influências (dredg, Oceansize...), tinha as trilhas para pensar na namorada, porque mais do que nunca eu queria estar com ela (na segunda comemoraríamos 2 anos de namoro).

O voo saiu potualmente às 15:00 e rapidamente estava em Guarulhos, dentro de 30 minutos, Henrique, Tânia, Thaís e Cris (fiquei surpreso quando vi os dois, mas achei bom) chegaram e rumamos à Pinda.

De Queens of the Stone Age até as piadas e longas gargalhadas durante a viagem, foram aproximadamente 2 horas de viagem até chegarmos a casa do José Ronconi, vulgo "Zé", que nos recebeu com muita hospitalidade.

Rumamos até o local do show!

Um pub muito bacana com uma área aberta para quem quisesse curtir o friozinho daquela noite, curtir as ruas um pouco rústics da cidade e uma área interna com um palco pequeno, mas muito bacana, uma guitarra sendo sorteada e um barzinho que vendia uma diversidade de cervejas, nunca tinha visto aquelas marcas.

Quando acomodamos as nossas coisas num quartinho reservado para as bandas, ficamos um bom tempo em banda conversando sobre a vida, sobre os projetos da banda, sobre as nossas posturas, nossas ações e sobre o repertório, a verdade é que estávamos com saudade uns dos outros, e aquela conversa foi uma espécie de terapia e grupo, que no fim da noite daria um resultado maior.

O Quarto Negro (http://www.myspace.com/quartonegro) começou bem cedo e terminou bem rápido, eles teriam outro show em SP, mas foi surpreendente, a banda tem muita energia e as músicas são um pouco dançantes, o teclado no som deu, na minha opinião, uma sonoridade que a diferenciou de muitas bandas indies do mesmo estilo.

Logo em seguida tocou a banda Vício Primavera (http://www.myspace.com/vicioprimavera) que demonstrou influência da boa música brasileira, como Chico Science e Nação Zumbi, um pouco de Arnaldo Antunes, reggae e muita distroção e presença de palco. Gostei muito do vocalista da banda, Michel, e sua postura de frontman carismático, que convida o público e participa ativamente da festa. Grande apresentação.

Quando Maquiladora (http://www.myspace.com/maquiladorayeah) foi ao palco além dos namorados babões (Cris e Zé) estavam os amigos babões que ajudaram na montagem dos instrumentos, acompanharam a passagem de som atentos e eu ainda me atrevi a pedir a Andréia: "toca Too Much Wine" que foi executada na parte final do show com uma energia que põe muito marmanjo de boca aberta. É até complicado falar das meninas, porque além de amigos somos fãs e cada show reserva uma surpresa diferente, é uma energia diferente, porque quanto mais me familiarizo com as músicas, mais me sinto a vontade e envolvido pelo som fervente das meninas. O Henrique no baixo deu à banda uma sonoridade muito mais interessante...Parabéns, camarada!

E então já vamos nós (http://myspace.com/bandacurved)! Antes de subir, é o nervosismo, é a conversa, o abraço e é o grito de guerra: PULAR, GRITAR, SUAR e SANGRAR e desta vez era mais do que uma proposta, era a nossa honra que estava posta a prova.

Montamos os instrumentos, passamos o som calmamente, mas quando a lapsteel soou aguda, a calma foi deixada de lado e fomos tomados por uma euforia que a cada pulo, a cada nota tentávamos enfeitiçar o público com a energia que estava explodindo em nós durante a execução das músicas.

Quando a microfonia soou alta e Diogo chamou "Action/reaction" faltou palco para tanto pulo e eu quase (como sempre) caiu sobre a bateria. Eram gritos raivosos, guitarras distorcidas, baixo pulsante e a bateria agressiva, mas desta vez também técnica do Diogo que ditaram o ritmo deste momento para frente.

"Reaching Mogee" estava para ser executada e nada melhor do que compartilhar esse momento com as pessoas que inspiraram a criar desta música, o pessoal de Mogi das Cruzes, e desta vez não decepcionamos a música funcionou como nunca e tê-la emendado à Shape parecia tão perfeito que deu até vontade de pular nos refrões. Foi ótimo!

Quando tocamos "Laura After", para mim foi o aúdio do show, a música tinha energia sobrando e nós estávamos precisando descarregar mais energia do que nunca... Quando entramos no último refrão quis ignorar o microfone e pular na galera, mas o bom senso me segurou.

Dai foram três pedradas: "Ain't no Fashion Enough", "Specially for You" e "No Pain, No Gain" quase em sequência, onde mesmo quase esgotados, sobrou suor e sangue (meu dedo ainda machucado, para variar).

O show acabou, eram muitos abraços, elogios e comentários...Foi um show especial, mas ainda tinha o Seamus.

O Seamus (http://www.myspace.com/sseamus) estava jogando em casa, e como todo bom time não decepcionou a torcida. O que me chamou a atenção foi que no fim, mesmo quem não era da cidade, como eu foi encantado por aquela sonoridade crua e visceral e pela postura dos integrantes da banda que em alguns momentos me lembrou R.E.M.. Cara eu fiquei impressionado com o que eu estava vendo e a cada música, eu ficava cada vez mais interessado e hoje quando ouço o disco da banda, sinto por não tê-las conhecido antes para poder cantar junto com o público que parecia enfeitiçado pelo trabalho daqueles caras!

Porra! que show do caralho! Foi um dia especial e há tempos eu não me sentia tão bem.

No domingo acordei cedo e rumei para casa. Fica no coração a saudade da cidade e da viagem, mas sei que não vão voltar oportunidades.

Eu só espero que isso aconteça o mais rápido possível e que as nossas namoradas e amigos como o dono deste blog estejam presentes, porque vocês são parte do nosso show!

ROCK ON!!!!!!!

João Coelho, dia 9 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coisas novas de lá pra cá, aqui e acolá

Noite de lançamentos, novidades e renascimentos com Seamus, Jane Dope e Fellaccios
[Texto por Fabio Zelenski e fotos por Thami Rainbow e Kbça Corneti]

O ano começou há algum tempo já. Mas, como dizemos nós brasileiros, começa mesmo depois do carnaval. E foi depois das festas das poucas roupas e muitas batidões que o Divina Comédia estreiou os shows de 2010 na casa.

Começou bem, aliás. Não é sempre que numa única noite se tem Seamus, a nova Jane Dope e Fellaccios. O simples show de cada banda já seria o bastante para voltar para casa bêbado, com as pernas doendo e feliz.
Mas não. Tinha bonus track pra tudo:

Seamus, depois da novela Taubaté Democracy lança em primeira mão o Sounds Of The City You Love (SOTCYL), depois de mais de três anos construindo-o.
Jane Dope, novata na cena, sem perder tempo, lança o EP Às 4 na Augusta.
E, completando o time, um Fellaccios mais bem ensaiado, que vem se apresentando tendo como banda o próprio Seamus.

Vamos lá. Quem abriu foi o Fellaccios.
É sempre bom ver Giácomo, aniversariante da noite, liderando todos os putos da banda com seus contos mais fiéis à pornochanchada. Esse foi o segundo show que vi dos Fellas com essa formação (creio que seja o segundo show deles mesmo rs) e foi notável como eles estavam mais entrosados. Não soou tão pesado quanto da primeira vez, mas ficou mais Fellaccios, mesmo, mais canastrão, com os teclados mais presentes. Ficou profissional e com mais personalidade.
Depois, subiu no palco a trupe do Jane Dope.
Eles já estreiaram há algum tempo, mas eu não havia presenciado um show ainda. Foi um show com uma atmosfera ótima, que passeavam pelo rock mais agitado a viageras guitarrísticas. Começaram faz pouco tempo, mas estão mandando muito bem.
E, fechando a noite, Seamus.
Eles me deviam um Brilliant Lights Brilliand Stars, e começaram me pagando a dívida. Uma epopéia ótima de oito minutos. E depois, foi só alegria. Tocaram o SOTCYL de cabo a rabo, teve participação do Danilo do Hierofante, gente dançando, gente cantando... tudo que sempre tem num show do Seamus, mas, desta vez, com o prometido álbum em mãos.

Pra primeira noite do ano com shows na Divina Comédia foi bom demais. Se a estreia determinar o clima pro decorrer de 2010 e para os próximos shows, só coisas boas nos esperam.

quinta-feira, 4 de março de 2010

FAIXA-A-FAIXA

SEAMUS - SOUNDS OF THE CITY YOU LOVE

[Texto e fotos por Regis Vernissage]

O Blog Bequadro Mostarda estréia aqui sua primeira coluna chamada FAIXA-A-FAIXA que tem como intuito comentar CDs de bandas independentes de cabo a rabo. Para estrear com chave de ouro nada mais justo que falar sobre a primeira obra completa do Seamus, banda de Taubaté & Pinda e também integrante do coletivo Bequadro Mostarda, que lançou em Fevereiro de 2010 o grande Sounds Of The City You Love, gravado, mixado e masterizado entre Fevereiro de 2006 e Agosto de 2009 por Luiz Kalil no Estúdio Alive em Pinda, com fotos de Paulo Borgia e artwork de Luis Naressi, também guitarrista da banda, que se completa com Fernando Lalli (voz/guitarras), Pedro Fusco (baixo) e José Ronconi (bateria).

Tudo começa com Brilliant Lights, Brilliant Stars que já demonstra logo de cara ecos de Sonic Youth fase “A Thousand Leaves” em guitarras harmônicas e dissonantes que remetem a uma dimensão noventista com classe e elegância agregadas a uma cozinha onde a clamaria melodiosa se une com a voz lamuriosa de Fernando Lalli, o qual aqui canta belamente sobre um tipo de desilusão amorosa que pode parecer bem familiar para os mais atentos. Sem pausa para respirar (o que vale para o cd inteiro, sendo que é bom citar que a obra segue o conceito de não possuir intervalos entre as faixas, que são T.O.D.A.S. perfeitamente costuradas com o maior esmero), nossos ouvidos são presenteados com o que eu arriscaria chamar de a primeira porrada “bittersweet shoegazering” do cd, a sensacional Half-Less Love, que tem um arranjo rasgado de riffs potentes e teclados etéreos (as teclas são executadas no disco pelo convidado especial e “enfant terrible” Danilo Sevali do ótimo Hierofante Púrpura), agregados a uma incrível melodia vocal que casa com perfeição ao modus operandis desta pequena pérola da cidade que amamos. "But we should know there’s no half-less love at all", diria Lalli. E como parecendo um agradecimento, temos a velha conhecida Thank You, Silence, outra belíssima melodia em forma de canção que faz um paralelo conciso da ironia do agradecimento de vidas que foram ontem vividas laconicamente e da calmaria (irônica, claro) que hoje isso tudo proporcionou. Destaque para a linha de baixo do ótimo Pedro Fusco. Peguemos então nossos assentos para aproveitar o show.

“I want to remain clear: for having underestimated you, I deserve all this suffering”, é o que começa dissertanto a voz robótica do que eu arriscaria chamar de segundo petardo “bittersweet shoegazering” da obra que carrega consigo a graça de A Year Without Breathing, uma música sobre o desespero em busca do conforto para justificar a vergonha da verdade negada e perdida que poderia simbolizar-se aqui como uma lágrima caída dos olhos de seu parceiro, mas que você não havia visto até que lhe contassem, denotando a subestima. Um assunto complicado tratado com maestria por Lalli que além de jornalista demonstra ser um ótimo letrista. E mesmo os não letrados em inglês conseguem sentir todo esse desespero através da própria música que é conduzida primorosamente pelos arranjos das guitarras em “crescendo” de Luis Naressi, do baixo preciso, harmonioso e complexo de Pedro Fusco e da batera constante e tensa de José Ronconi. Temos então a versão definitiva para um grande clássico do Seamus, Blame, que foi a primeira música do primeiro EP demo da banda lá no longínquo ano de 2004. Por se tratar de um clássico, interessante notar como essa versão foi acelerada em comparação à anterior, o que acabou por valorizar o trabalho “noisy” das guitarras de Naressi & Lalli, remetendo ao melhor do pós-punk dos 80’s. Bom deixar claro aqui que me refiro a Blame como um clássico por ser uma música completamente atemporal que é cantada a plenos pulmões pela gurizada em qualquer show do Seamus que você tiver a sorte de testemunhar. Aqui ela termina em alta classe com ruídos provindos da guita do Sr. Luis “Meteoro” Naressi e num quase-solo batucante-repicado da batera de Zé Ronconi, que aproveita o descaso de nossos ouvidos ao pensar que o clássico finalizara-se, costurando sem vincos a porrada definitiva do “bittersweet shoegazering” que responde pela alcunha de Hate Campaign, um quase-punk nervosão e absurdamente rasgado como se fosse a última fenda que se abriu naquele jeans velho, sujo e contaminado pelas substâncias vividas pelo tempo. A letra traz na bandeja um personagem imaturo que precisa de “todas as respostas” e que é propenso a acreditar em qualquer mentira e besteira que ouve, seja de seu interlocutor, seja de um programa de TV voltado às massas, daqueles que vendem violência. Por acaso alguém aí não conhece alguém assim?

Acalmando a situação em sua reta final, o belíssimo piano de Danilo Sevali traz, como se fosse o prêmio final após uma dificultosa captura em um poço escuro, o arpejo do solo constante de Luis Naressi que flutua por toda a também belíssima In These Days que casa harmonia, ruídos, batera em marcha e uma clara demonstração de bom gosto melódico em sua composição. Ouvi-la atentamente nos leva a questionar o que faríamos se alguém quebrasse nossa máquina de voar justamente na hora em que começássemos a sonhar? Ou foi apenas uma interferência de rádio? Na mesma frequência, This Masquerade Ball, que talvez seja a mais radiofônica do cd devido à bela e acessível melodia de seu curto refrão, busca trazer uma paz de espírito e redenção em sua composição e mostra uma imagem ao mesmo tempo estranha e errônea daquilo que talvez pensássemos ser o certo. Algo como se tornar vidro frente à perda. Gélido. É a ponte certa para o petardo final desta obra que levou três anos e meio para ser concluída: Experiences With Broken Glass, outro tema rasgado de muitas e muitas guitarras, baixão e batera mútuos em êxtase, efeitos dilacerantes e uma boa dose de desespero contido que se divide em seus quase 10 minutos em duas partes: Part I: The Victim onde Lalli faz um mea-culpa após lembrar-se de que por onde andava, tudo que fazia, remetia à pessoa amada, por isso puni-se, angustiado, andando em vidros quebrados e Part II: Sounds Of The City You Love, continuação instrumental natural da primeira parte, porém mais lisérgica, viageira, que conta também com a mesma voz robótica de A Year Without Breathing, sintetizando assim e fechando o conceito desta belíssima, genuína e original obra de arte que não pertence à Pindamonhangaba, Taubaté, Mogi das Cruzes nem São Paulo. Pertence ao mundo!

http://www.myspace.com/sseamus
http://www.fotolog.com/_seamus