Mostrando postagens com marcador maquiladora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maquiladora. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CERVEJARIA ÓBVIO – PINDACITY – 11/09/2010

BANDAS: JANE DOPE / MAQUILADORA / EL EFECTO / VINCEBUZ / HIT CINEMA SHOW


“A de Arcade Fire
B de Beck
C de Hei Claris
Dá um teco desse mulek!


Tipo Giconda, ti-tipo Gioconda”

Foi nessa vibe “Cabeçuda” que a trip pra Pinda rolou suave ao encontro de mais um Festival Lumière, o terceiro de 2010 a acontecer na Cervejaria Óbvio – nossa casa no vale. E conforme o esperado, muita coisa aconteceu para todos os lados. Uma paz quase angelical pairava naquela esquina da Prudente de Moraes enquanto a carioca El Efecto passava o som e as primeiras almas chegavam para suas cervejas de sábado. A lua, belíssima por sinal, apontava no céu como se fosse “o gato que ri” com uma estrela brilhando forte logo abaixo do seu sorriso, impressão que remetia a um piercing no queixo da lua sorridente. Mor brisa.

Após longas e prazerosas dezenas de minutos de conversa com a amada sob esta imagem que mais parecia filme romântico ao invés de uma balada rocker, fomos advertidos que a Jane biscate abriria a sessão da noite, e qual não foi nossa surpresa ao olhar ao redor e sacar repentinamente que a casa já estava bem cheia, mesas de bilhar ocupadas, banheiros com filas mistas e o bar já sem lugar para apoiar o cotovelo! Arrastei a Fer pro backstage para afinar os instrumentos, quando na verdade a minha intenção era outra, mas isso é um pequeno detalhe.

“É o Goethe, é o Goethe, é o Goethe...
Li tudo do Leon Tolstoi, tudo do Leon Tolstoi, tudo do Leon Tolstoi
Surra de Schubert! Surra de Shubert!”


Um dos lances da noite já se deu logo de cara com a Jane Dope. Como o guita Eder não pintou pro rolê, a puta desencanou de vez e foi macho até o osso, resolvendo a fita como power-trio, e digo que funcionou pacas! O carinha esquisito que toca guita e canta e a batera que também canta (além de fazer um “maquilafreela”) se entrosaram de forma que pudessem dar de presente pra baixista Nanda uma despedida à altura da classe que esta sempre teve. Sim, foi o último show dela com a puta, fato que não impede que ela apareça em futuros shows... Enfim, fazer auto-análise é sempre uma pretensão ao egocentrismo, mas como isso nunca irá acontecer por aqui, apenas passo um recado da biscate: diz ela que já deu de 5, de 4 e adorou essa história de dar de 3! Mais cenas no próximo capítulo.


Outro lance que rolou na noite faz menção direta à Maquiladora que fez sua primeira apresentação também como power-trio (será uma tendência?) onde mostrou toda a versatilidade que esta formação mais enxuta permite num setlist rápido de 6 sons onde todo o material anterior fora suprimido em prol das novas composições, já visando este formato em trio, e isso parece ter feito muito bem para a banda, pois as músicas estão partindo para um terreno mais experimental onde elementos e divisões (principalmente rítmicas) que eram impensáveis há tempos atrás, aparecem como uma fluência natural no curriculum da banda. Tenho uma palavra simples que acaba sintetizando de uma forma bem mais prática o que está acontecendo com a Maquiladora: maturidade.


Enquanto uma galera contemplava as capturas dos fotógrafos Stéfano Martins, Carol Ribeiro e KBÇA Corneti que descansavam perto das mesas de bilhar, os rapazes sangue bom da carioca El Efecto preparavam o palco para o que estava por vir. Um verdadeiro caldeirão musical coberto de referências que vão do ska dos anos 60 ao barulho pesado dos anos 90, tudo isso temperado com muita cor de tonalidade sonora e conteúdo lírico 100% brasileiros. Agrega-se à formação clássica rocker (guita, baixo, batera) um cavaquinho, trompete e até flauta doce que fazem toda a diferença nos links em que são inseridos e tudo funciona perfeitamente bem na estética da banda. Foram muitíssimo bem recepcionados pelo público local que recebeu em troca ótimos souvenirs cariocas, que foram os sons da El Efecto.

Mais uma pausa pro chiclete quando a inacreditável Vincebuz solta suas primeiras notas que levam a epifania coletiva a entender finalmente a razão de se colocar dois bateristas, um de frente para o outro (de lado para a galera), utilizando-se do mesmo bumbo, no sutil palco da Óbvio. Arriscaria dizer que foi uma catarse controlada com base nas expressões que vi das pessoas presentes, tipo saca aquela vibe de assistir aquele filme lado bezão sabendo que o filme é bom demais, que o diretor é fodão, mas que você só não foi ainda porque não estava passando na sua cidade, saca? Porém Vincebuz é muito mais que isso, é (muito) peso, é (muita) viagem, é (muito) ruidinho, é (muito) efeito infernal, é (muito) bom enfim.


E fechando desta vez, a local Hit Cinema Show mostrou um set bem conciso com sua atual formação (são 6 malucos em cima do palco mermão, vai vendo...) onde seus sons de eflúvios hardcore e metal se misturam com naturalidade a expoentes máximos da boa música contemporânea, como no caso de Inner Vision do System of a Down, versão muito bem executada pelos Pindenses que inclusive estão com um trabalho bem bacana de vozes.



Pessoal de Mogi apareceu em peso, como também uma boa galera de Pinda, além de um povo de Sampa. No final é tudo “rockerada-irmão”. Graças a essa gurizada é que o Festival Lumière continuará firme e forte, rondando e sondando novos e tradicionais picos e bandas. Aí quando você menos espera já são 5 da manhã, tudo acertado, todos felizes e com sono, comendo o bom e velho x-salada noturno, quando repentinamente um trecho lhe vem à cabeça, e a risada sequelada será inevitável:

“Português herói, navegante é o Cabral
Para tudo terra a vista, o bonde segue sua nau
Segue sua nau, o bonde segue sua nau
Segue sua nau, o bonde geral na nau...”

segunda-feira, 31 de maio de 2010

RESENHA – FESTA SELO BEQUADRO SEM SÊ-LO MOSTARDA

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Kbça Corneti

Sábado intenso em Mogee Rock City no que concerne a especialidade aqui da casa, o rock independente. Após tudo o que aconteceu na cidade durante a Virada Cultural Paulista 2010, de bom (apresentação histórica do Mudhoney na cidade além de serem entrevistados pela Maquiladora, e esta, Jane Dope e Vício Primavera deliciando-se em palcos de estruturas profissionais, o Selo Sem Sê-lo fazendo abertura não-oficial no Campus 6) e de ruim (os fellas do C1M vendo seu set ser abruptamente reduzido em prol história da tal alvorada da festa do Divino, além da completamente desnecessária tesourada-mãe que os Chico Bentos da incrível e implacável Força Tática mogiana aplicaram ao projeto Guerrilha Gerador – fato já bastante discutido e fotografado por aí), era hora de continuarmos com a nossa moeda de troca, a ventilação de bandas e intercâmbio de casas, dessa vez com a Festa Selo Bequadro Sem Sê-lo Mostarda que teve formato semelhante a do Festvial Lumière com exposição dos fotógrafos KBÇA Corneti, Carol Ribeiro e Stéfano Martins e que teve espaço no nosso querido Campus 6.

Enquanto o DJ da noite e também batera do Cor-Séría Fabio Zelenski tocava ícones das nossas vidas (Afghan Whigs, Nada Surf, La Carne, Mentecapto, etc) a primeira banda da noite, a The Mercúrio de Campinas, já estava pronta para mostrar pela primeira vez seu set em Mogi. Músicas longas, etéreas e abrasivas chamaram a atenção pela forma em que eram executadas e pela quantidade de nuances que são propostas pela banda. O lance aqui em Mogi funciona mais ou menos assim: quando o público não gosta do som, eles ficam conversando e tal... quando o público gosta, impera o silêncio completo e total até que a última nota seja emitida da guitarra em prantos, e esta última atitude pôde-se notar nitidamente ao fim do set do The Mercúrio, formado por rapazes simpáticos que foram muitíssimo bem recebidos na cidade.


Macacos velhos de Mogi, os São Bernardenses da Espasmos do Braço Mecânico nem tiveram muito tempo para ficarem bêbados direito e já atacaram na sequência seu garage stoner grungeano ou seja lá o que isso venha a significar (mania besta de ficar criando rótulos!), o que importa é que há tempos eu não via um show desses doidos e, putaqueopariu, como é bom bater a cabeça ao som de “Eu que não quero nada”, “Carcaças Mórbidas”, “Quantos tijolos uma cabeça agüenta” e a sensacional “Posso Ajudar?” com seu esplêndido refrão que podemos com imensa facilidade dedicar para uma lista joselitos! Há tempos venho pensando numa coisa que devo fazer dentro de alguns anos: Os Espasmos são a banda que deverei chamar pra tocar na festa de 18 anos da minha filha mais velha... Diversão garantida!

Correndo contra o atraso do tempo, os mogianos do Seamus (sim, são mogianos, não sabia?), vestidos de um Bôe careca e um Meteoro desprovido de voz, tiveram o privilégio de fazer 2 setlists para a mesma noite, pois tocariam ainda na mesma madrugada na Divina Comédia. Tudo muito intenso e alto pra caralho na Red e melhor equalizado na Modern Dance em diante, tiveram o prazer de tocar para uma gurizada que estava na sede de vê-los em ação no Campus 6 – bem, esta foi a informação que me chegou até os ouvidos – e sem sombra de dúvidas não deixaram por menos, sendo massivamente ovacionados ao final da épica “Experiences with broken glass” que causou até a perda dos óculos do batera Zé Ronconi. Quem encontrá-los favor entrar em contato com este Blog ou no post abaixo.


Já a Maquiladora mostrou sons de seus cds My Silent Van Gogh e Parturition e pra variar causou furor nos meninos que sempre se empolgam com a vitalidade e entrosamento das meninas e começam loucamente a bramir frases do tipo: “A baixista é lésbica! Depila ela!”, o que definitivamente serve como força para que a banda detone cada vez mais em suas performances e composições. Inclusive um ponto notável é a quantidade de sons novos que a banda põe na roda. A quantidade de “Too Much Wine” que eu já havia bebido me deixou assim, meio lesado, a ponto de esquecer algo, mas tenho quase que absoluta certeza que tocaram 2 músicas novas. Comentários no post serão bem vindos.

E finalizando a história tivemos uma apresentação bizarra da Jane Dope, diria esquisitona, pois foi o primeiro show sem a tecladista Duda que saiu da banda na semana passada, e ao mesmo tempo o último show com o guita Marceleza e o primeiro com o Eder Odorizzi que está entrando no lugar do Marcelo. Pode ser que tenha ficado esquisito aquele bando de 3 guitarras, na verdade minha opinião é um tanto quanto suspeita, mas temos que concordar que o show foi cheio de imprevistos (cordas quebradas – agradecimento especial ao Rafael Espasmos que emprestou sua guita, baixo que se recusou a funcionar quando devia, voz que se recusou a cantar afinadamente, enfim...) e no final das contas, apesar do atraso no horário, tudo acabou funcionando razoavelmente bem.

Era hora então de fechar o Campus 6 e partir pra Divina Comédia descansar um pouco e curtir o som do Alarde e a segunda parte do setlist do Seamus (Half-less Love veio, Hate Campaign não), que serviu pra levantar quem considerava-se cansado e já pensava em ir pra casa, mas aí já é outra história que só terminou de fato com o gélido sol da manhã dominical deste declínio de maio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Em parceria com o Selo Sem Sê-lo, O Coletivo Bequadro Mostarda está realizando nosso primeiro evento no queridíssimo Campus VI, que contará com a presença das bandas:
Seamus, Espasmos do Braço Mecânico (ABC), Maquiladora, The Mercúrio (Campinas) e Jane Dope.

Teremos também a já tradicional exposição de fotos, cujos anfitriões serão os já mogianos Stefano Martins, Kbça Corneti e Carol Ribeiro, que estarão retratando também as imagens deste sublime acontecimento!

E atrás das Dê-Jotas estará nosso parceiro de noites e furadas mogianas, Zelenski, tocando as músicas que marcaram suas vidas!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RESENHA: LUMIÈRE FESTIVAL em MOGI por LA CARNE

Fotos: Kbça - http://www.flickr.com/iwannabebobgruen

LUMIÈRE FESTIVAL


Quando chegamos em Mogi, logo em frente ao Divina Comédia, já estavam Régis, os caras do Seamus, e mais uma pá de amigos que foram lá conferir a festa.
E os caras do Bequadro Mostarda fizeram uma divulgação firmeza do evento, teve matéria em jornal, site, lambe-lambe e o escambau.


E aí, pra alegria geral, só ia chegando gente. De todas as direções. Das vezes que tocamos ali no Divina, essa certamente foi a que teve casa mais cheia, galera insana (show com 5 bandas!) e ainda teve um público dos mais acolhedores.
Encontramos tantos amigos e tantas bandas ali que com certeza vai faltar alguém, nos perdoe. Tava o Elmo do Campus VI e seu irmão fã do parmêra (paciência, mas ele é gente boa...rs), o Gabriel (Hierofante Púrpura) que voltou recentemente de uma trip nervosa pela Irlanda, uns trutas de Sorocaba (isso mesmo, os caras foram lá pra Mogi, vai vendo), ah, e fora o zilhão de banda.

Lá dentro do bar, pra vc ter uma idéia, tava embassado pra andar, pra pedir uma cerveja, pra arrumar um canto e ouvir as bandas, desse jeito. Alem dos shows tava rolando discotecagem do Meteoro, barraquinha de venda de cds e uma senhora exposição de fotos.

Quem abriu os trabalhos foi o Jane Dope. O som deles é uma montanha-russa de referências psicodélicas, explosões punx, guitarras duelantes e letras espertas. De repente, um contrabaixo pop-cabulozo deixa um clima soturno no ar, como em “Sadness” e “H.A.T.”. Um teclado insano, pilotado pela incrível Duda. Violões evocando o caboclo-sete-flechas Johnny Cash. Pô, nessas a gente tava ouvindo, bebendo e teorizando: Mogi das Cruzes tem uma cena alternativa muito fudida, bandas com propostas sonoras inovadoras, diferentes do clichê “indie”. Uma safra de vinhos nobres, no caso: Jane Dope, Vício Primavera, Korovas, Accidentes, Hierofante Púrpura, Cafetones, Maquiladora, Conte-me uma Mentira, Cor Séria, Topsyturvy, etc, etc, etc.... Foda.

A Maquiladora é uma trêta à parte. O carisma ali é total. Nesse show até a contida (??) Thais teve a mãnha de descer e ir solar no meio da galera e voltar ovacionada pro palco. Vai vendo, tá folgada essa mina... As músicas novas já estão nas goelas da galera e fica muito bonito de se ver o show. A Thania tem sim a moral de carregar a platéia, e ainda junta o entrosamento fu-di-do da cozinha Andréa+Henrique e tudo vira um jogo sujo - pra quem tocar depois deles, no caso.

Depois veio o Jair e seu novo trabalho. Todo mundo sabe, nós do La Carne somos “viúvas” do Ludovic – a ex-banda de Jair Naves. Nunca escondemos isso. Lado a lado com os Ludovics, viajamos de van, bebemos e demos boas risadas, fizemos vários shows – Belo Horizonte, Franca, Curitiba, bares de SP, no Baal...todos eles foram muito marcantes pra nós. O Ludovic fez história. A mistura das desesperadas/delicadas letras do Jair, com os arranjos de uma banda que é(ra) pura pedrada - Hugo, Du, Zic, Febry, puutz... - e as viscerais performances ao vivo... Cara, sem rodeios: cada show nos marcou, e nos ensinou, coisas importantes a respeito daquilo que se convencionou chamar de rocknroll.

Por isso, estávamos intrigados – e ansiosos – com o show do nosso amigo e ídolo Jair Naves. Curiosos sobre o que iríamos ver e ouvir, já que “Araguari”, o novo trabalho dele, é bem diferente do resto da sua obra. (Permita-nos uma desavergonhada franqueza: chegamos a cogitar entre nós: “mas, e se a gente não gostar do show?”. Tipo: “Teremos coragem de escrever isso no Diário de Bordo? Na qualidade de “viúvas-carpideiras-do-Ludovic?”, o que dizer sobre “Araguari”?)

Chegou a hora. E o que se viu e ouviu em Mogi das Cruzes, no Divina Comédia, às 3 e pouco da manhã?

Primeiro: Jair tá muito bem acompanhado. Mark Paschoal, um baterista extraordinário. Ali Jr no baixo, mais teclados, guitarra, enfim, um timaço. Ao vivo, as canções ganham cores muito mais fortes que no CD, a temperatura delas se eleva às alturas, as letras ganham imagens claras – e de repente, a gente se vê sobrevoando essa tal cidade de Araguari, reconhecemos sua paisagem, suas ruas e seus personagens, guiados pela voz poderosa/cavernosa do “bardo”, que faz - agora sim - seu pessoal ajuste de contas com o passado.

Jair canta com a mesma paixão e entrega de sempre. A voz fica bem na frente, e podemos entender cada frase da letra. Os mesmos olhos tristes, o mesmo sorriso largo/envergonhado. Jair deixa nós e toda a platéia hipnotizados, totalmente de ouvidos ligados – ameaça explodir, e então, volta à calmaria do seu violão. Foi muito aplaudido, e retribuiu com agradecimentos sinceros. E La Nave Vá, Jair...


Depois, de longe, já que a gente tava afinando os instrumentos, vimos a muvuca se armar durante o show do Seamus. E mesmo tendo tocado com eles há duas semanas - sem querer soar repetitivo - as mesmas palavras do show anterior cabem aqui, gente pedindo sons, berrando os refrões arrasadores, dando socos no ar e inevitavelmente invadindo palco, “A Year without breathing” mais uma vez arrepiou, e daí pra ganhar a galera foi tranqüilo. Boe, Meteoro, Pedro e Zé tão tocando afiadíssimos. Mais um grande show! Seamus não é do Brasil. É do mundo.


Mas o que tava muito claro ali era o quanto que a galera tava a fim de ouvir as bandas e ver os shows. Todas, todas as bandas tiveram momentos no qual o público vinha junto.
E com a gente não foi diferente. Desde a hora que chegamos, descarregamos o carro, bebemos, tomamos ar, demos entrevista, batemos foto, ganhamos cds, conhecemos um monte de gente, enfim, fomos tratados com um carinho que é impossível descrever. E na hora do show, foi o seguinte: ele não sairá tão cedo das nossas cabeças.
Passavam das 5 da manhã e uma pequena multidão ali, urrando e sangrando com a gente, roubando microfone, se jogando pro alto, nos olhando no olho e cantando os nossos absurdos. Conclusão: não se tem como sair ileso de um show em Mogi. Já tocamos várias vezes lá, mas dessa vez foi inesquecível. Obrigado. Obrigado, essa palavra é tão pouco...



Depois ficamos embassando e vendo raiar o dia na frente do bar.

Ah, e a gente quer agradecer muito pelo convite do Bequadro Mostarda. E ó, essa empreitada que vocês estão entrando é aquele lance tipo uma misto de Samurai e malandro, saca? Pensar agindo e agir pensando. E aí, lá na frente, quando vocês estiverem de saco cheio de tudo, quando forem mandar tudo à inevitável merda, vocês verão que isso, de fazer o que vocês quiseram, levou vocês muito longe. Filosofia de vida fuckers, “Distraídos venceremos”.

FIM

sábado, 10 de abril de 2010

O FESTIVAL LUMIÈRE É DESTAQUE NO MOGI NEWS E NO DIÁRIO DE MOGI!

http://www.moginews.com.br/materias/?ided=799&idedito=6&idmat=59671

Variedades

Matéria publicada em 10/04/10 - Mogi News

Música Encontro reúne artistas e bandas independentesFestival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, é uma grande vitrine para músicos, fotógrafos e produtores culturais de outros segmentos

BÁRBARA BARBOSA
Da reportagem local
Divulgação

Intercâmbio: Evento contará com várias atrações musicais, a partir das 21 horasUma vitrine de bandas autorais, fotógrafos e artistas plásticos. Assim pode ser definido o Festival Lumière, que terá sua primeira edição em Mogi esta noite, no Divina Comédia Clube, a partir das 21 horas. Trata-se de um festival itinerante, organizado pelo coletivo Bequadro Mostarda e que já percorreu Pindamonhangaba, São Paulo, São José dos Campos e São Caetano do Sul. No palco da casa noturna, estarão as bandas Jane Dope, Maquiladora, Seamus, La Carne e Jair Naves (antiga Ludovic).

Lançado há três anos nas cidades do Vale do Paraíba, o Lumière terá sua primeira edição em terras mogianas e, segundo um dos organizadores, Regis Vernissage, a ideia é que ocorra na cidade a cada três meses. Outros municípios, como Campinas, Sorocaba e Belo Horizonte,também negociam receber o festival."Como várias bandas e artistas mogianos já tocaram ou expuseramem Lumières anteriores, nada mais natural que Mogi ter entrado neste circuito", explica ele.

Vernissage, um dos produtoresdo Bequadro Mostarda, ressalta que o objetivo do coletivo, formado pelos grupos Jane Dope (Mogi/São Paulo), Seamus (Taubaté/Pindamonhangaba) e Maquiladora (Mogi/Suzano), é promover o intercâmbio de artistas e bandas autorais independentes.Apesar de o coletivo abrir espaçoa todas as vertentes musicais,a maioria das bandas participantes das ações é de rock. "São as que mais nos procuram para este intercâmbio", justifica.
O evento desta noite também contará com shows das convidadas La Carne, de Osasco, e Jair Naves, de São Paulo. Haverá exposição de fotografias e artes dos artistas Stéfano Martins, Oswaldo Kbça Cornetti e Thamires Rainbow, de Pindamonhangaba, e Carol Ribeiro, de São Paulo. O festival terá, ainda, discotecagem indie rock com o DJ Meteoro, de Taubaté.

A Divina Comédia Clube fica na rua Otto Unger, 158, no centro de Mogi. O valor da entrada para o Festival Lumière é de R$ 10.

segunda-feira, 22 de março de 2010

FAIXA-A-FAIXA

MAQUILADORA - MY SILENT VAN GOGH

[por Regis Vernissage]

Se há nessa vida rocker algo que sempre tive enorme prazer em fazer, esse algo é acompanhar de perto o desenvolvimento das bandas que curto. Obviamente não sou o único no mundo a ter esse, digamos, hobby... É bem sabido que isso é coisa de “bitola”, o que se agrava no meu caso por ser capricorniano, mas como não acredito nesse blah de signos, prefiro tecer minhas impressões sobre o novo álbum da Maquiladora que carrega consigo a insígnia de “My Silent Van Gogh”.

O álbum, gravado em apenas um dia e produzido de forma relâmpago em Janeiro de 2010 por Samuel Nonato no Estúdio Connection 3 em Pindamonhangaba (SP) e com uma belíssima arte de autoria do excepcional fotógrafo Stefano Martins, mostra claramente um direcionamento evolutivo da banda, uma obra de transição, uma busca por novos horizontes (por mais clichê isso possa aparecer, é a mais pura verdade), que acaba inevitavelmente traduzindo-se na própria música.


Enquanto o ótimo primeiro disco cheio Parturition era uma continuação natural do primeiro EP, este My Silent Van Gogh, de 9 sons em pouco mais de 24 minutos, se destaca logo de cara pela presença de Henrique Resek no baixo que entrou com muita classe no lugar deixado pela Nynona e colaborou no cd com linhas de baixo interessantíssimas e muito bem trabalhadas, como no caso da We’re A Bunch of Beasts Pushing Each Other For Food, Coitus and Territory (letra genial!) que segue a curta intro “maquila-style” que abre o cd, The Starry Night.

Come To L.A. traz um elemento da evolução citada acima: a desaceleração (para os “padrões Maquila de ser”, se é que isso existe...) com algo bluesy, tranquilão, de boa, sem muita urgência. Aqui já notamos que o instrumento de trabalho da “guitar-heroin” Thaís Naomi agirá com força e peso durante todo o cd. Na mesma pegada, a faixa-título My Silent Van Gogh traz algo que se aproxima de “quase elementos progressivos setentistas” onde subitamente relembramos que estamos ouvindo Maquiladora simplesmente por causa da característica vocal de Thania D, que mais uma vez abusa e brinca de sua inacreditável potência vocal. Quem disse aí que tamanho é documento? Hein?


O experimentalismo e brincadeiras rítmicas continuam em Iceberg que parece ser conduzida pelo ritmo quebrado imposto pela batera de Andrea Marques (outro destaque no cd), na ótima e super bem trabalhada Cheap Perfume – uma crítica corrosiva a certos estandartes impostos pela nossa sociedade de consumo desenfreado e dinheiro fácil – e em Walk Among que lembra, de início, os riffões de Parturition, mas logo descobrimos que tanto suas nuances quanto a não existência de refrões também a colocam no caldeirão experimental Maquilático.

Temos então a espetacular Coffee Or Chocolate (na minha opinião, a Too Much Wine, o hit do My Silent Van Gogh) que entre um riff matador e guitarras rasgadas questiona a eterna necessidade da escolha, seja para o bem ou para o mal, ou o que isso venha a significar. Não importa. O que importa é que som é foda demais e ponto final! (Aquela batera em fade in da volta, no meio do som... o que é aquilo cara?!...) O cd fecha então com a também incrível Loc9Nat que passeia por diferentes atmosferas melódicas / barulhentas e termina ríspida e seca, curta e grossa, após um longo grito doentio e perturbador que te faz pensar em apenas uma expressão: “CARALHO!!!”

http://www.myspace.com/maquiladorayeah
http://www.fotolog.com/maquiladora_yeah

quarta-feira, 17 de março de 2010

DIA 27 TEM MAIS EVENTO DO BEQUADRO!!


Dessa vez a invasão mostarda vai ser em São José liderada por La Carne, Seamus e Maquiladora!!

IMPERDÍVEL!

[Arte de Luiz Meteoro]

quinta-feira, 11 de março de 2010

FESTIVAL LUMIERE - 6/3/10

Eu não imaginava, mas o show ia começar muito antes que eu esperava.



Sexta-feira, quando cheguei à BH, Jubão já ligou na pilha falando em levar o megafone, falando do horário que íamos chegar à SP, fantasiando o show e instigando-nos sobre o que estava para acontecer na cidade de Pindamonhangaba ( eu até brinquei com os meninos de Mogi das Cruzes que eu achava que nem existia essa cidade e que parecia uma piada, mas...)

Mais tarde Jubão me ligou de novo e falou que o Cris parecia mal, e aquilo me deixou receoso sobre o que poderia esperar de um show, onde um dos integrantes poderia estar chateado.

No fim da noite ainda da sexta, a secretária da PUC me ligou avisando que não teríamos aula no sábado pela manhã e isso fritou um pouco, porque eu tinha comprado uma passagem mais tarde e mais cara do que as passagens do Diogo e o Jubão, para estudar, mas a enrolação da facul me "entubou"... Teria que viajar sozinho! AFF

No sábado troquei as cordas da guitarra, limpei-a calmamente até a deixar brilhando, porque mais do que um show, seria o reencontro depois de um mês longe dos amigos e longe da música (minha grande paixão)...Troquei as músicas do mp4 e como trilha sonora além das influências (dredg, Oceansize...), tinha as trilhas para pensar na namorada, porque mais do que nunca eu queria estar com ela (na segunda comemoraríamos 2 anos de namoro).

O voo saiu potualmente às 15:00 e rapidamente estava em Guarulhos, dentro de 30 minutos, Henrique, Tânia, Thaís e Cris (fiquei surpreso quando vi os dois, mas achei bom) chegaram e rumamos à Pinda.

De Queens of the Stone Age até as piadas e longas gargalhadas durante a viagem, foram aproximadamente 2 horas de viagem até chegarmos a casa do José Ronconi, vulgo "Zé", que nos recebeu com muita hospitalidade.

Rumamos até o local do show!

Um pub muito bacana com uma área aberta para quem quisesse curtir o friozinho daquela noite, curtir as ruas um pouco rústics da cidade e uma área interna com um palco pequeno, mas muito bacana, uma guitarra sendo sorteada e um barzinho que vendia uma diversidade de cervejas, nunca tinha visto aquelas marcas.

Quando acomodamos as nossas coisas num quartinho reservado para as bandas, ficamos um bom tempo em banda conversando sobre a vida, sobre os projetos da banda, sobre as nossas posturas, nossas ações e sobre o repertório, a verdade é que estávamos com saudade uns dos outros, e aquela conversa foi uma espécie de terapia e grupo, que no fim da noite daria um resultado maior.

O Quarto Negro (http://www.myspace.com/quartonegro) começou bem cedo e terminou bem rápido, eles teriam outro show em SP, mas foi surpreendente, a banda tem muita energia e as músicas são um pouco dançantes, o teclado no som deu, na minha opinião, uma sonoridade que a diferenciou de muitas bandas indies do mesmo estilo.

Logo em seguida tocou a banda Vício Primavera (http://www.myspace.com/vicioprimavera) que demonstrou influência da boa música brasileira, como Chico Science e Nação Zumbi, um pouco de Arnaldo Antunes, reggae e muita distroção e presença de palco. Gostei muito do vocalista da banda, Michel, e sua postura de frontman carismático, que convida o público e participa ativamente da festa. Grande apresentação.

Quando Maquiladora (http://www.myspace.com/maquiladorayeah) foi ao palco além dos namorados babões (Cris e Zé) estavam os amigos babões que ajudaram na montagem dos instrumentos, acompanharam a passagem de som atentos e eu ainda me atrevi a pedir a Andréia: "toca Too Much Wine" que foi executada na parte final do show com uma energia que põe muito marmanjo de boca aberta. É até complicado falar das meninas, porque além de amigos somos fãs e cada show reserva uma surpresa diferente, é uma energia diferente, porque quanto mais me familiarizo com as músicas, mais me sinto a vontade e envolvido pelo som fervente das meninas. O Henrique no baixo deu à banda uma sonoridade muito mais interessante...Parabéns, camarada!

E então já vamos nós (http://myspace.com/bandacurved)! Antes de subir, é o nervosismo, é a conversa, o abraço e é o grito de guerra: PULAR, GRITAR, SUAR e SANGRAR e desta vez era mais do que uma proposta, era a nossa honra que estava posta a prova.

Montamos os instrumentos, passamos o som calmamente, mas quando a lapsteel soou aguda, a calma foi deixada de lado e fomos tomados por uma euforia que a cada pulo, a cada nota tentávamos enfeitiçar o público com a energia que estava explodindo em nós durante a execução das músicas.

Quando a microfonia soou alta e Diogo chamou "Action/reaction" faltou palco para tanto pulo e eu quase (como sempre) caiu sobre a bateria. Eram gritos raivosos, guitarras distorcidas, baixo pulsante e a bateria agressiva, mas desta vez também técnica do Diogo que ditaram o ritmo deste momento para frente.

"Reaching Mogee" estava para ser executada e nada melhor do que compartilhar esse momento com as pessoas que inspiraram a criar desta música, o pessoal de Mogi das Cruzes, e desta vez não decepcionamos a música funcionou como nunca e tê-la emendado à Shape parecia tão perfeito que deu até vontade de pular nos refrões. Foi ótimo!

Quando tocamos "Laura After", para mim foi o aúdio do show, a música tinha energia sobrando e nós estávamos precisando descarregar mais energia do que nunca... Quando entramos no último refrão quis ignorar o microfone e pular na galera, mas o bom senso me segurou.

Dai foram três pedradas: "Ain't no Fashion Enough", "Specially for You" e "No Pain, No Gain" quase em sequência, onde mesmo quase esgotados, sobrou suor e sangue (meu dedo ainda machucado, para variar).

O show acabou, eram muitos abraços, elogios e comentários...Foi um show especial, mas ainda tinha o Seamus.

O Seamus (http://www.myspace.com/sseamus) estava jogando em casa, e como todo bom time não decepcionou a torcida. O que me chamou a atenção foi que no fim, mesmo quem não era da cidade, como eu foi encantado por aquela sonoridade crua e visceral e pela postura dos integrantes da banda que em alguns momentos me lembrou R.E.M.. Cara eu fiquei impressionado com o que eu estava vendo e a cada música, eu ficava cada vez mais interessado e hoje quando ouço o disco da banda, sinto por não tê-las conhecido antes para poder cantar junto com o público que parecia enfeitiçado pelo trabalho daqueles caras!

Porra! que show do caralho! Foi um dia especial e há tempos eu não me sentia tão bem.

No domingo acordei cedo e rumei para casa. Fica no coração a saudade da cidade e da viagem, mas sei que não vão voltar oportunidades.

Eu só espero que isso aconteça o mais rápido possível e que as nossas namoradas e amigos como o dono deste blog estejam presentes, porque vocês são parte do nosso show!

ROCK ON!!!!!!!

João Coelho, dia 9 de março de 2010