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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lançamento: Up Brothers - "Dias em Claro"


Texto: Divulgação

Depois de meses trabalhando em algo que habitava apenas o universo imaginário, a banda paulistana Up Brothers “pariu” Dias em Claro, seu novo EP. Os músicos Rick (voz e guitarra) e Guilherme (voz e bateria) apresentam o novo xodó da banda, dessa vez, acompanhados pelo guitarrista Felipe Lucas. Dias em Claro conta com a participação de outros compositores que se encaixaram no conceito do novo trabalho da banda. O EP foi então recheado de canções com batidas dançantes e arranjos afiados, levando uma abordagem urbana que ilustra situações peculiares da vida nas grandes cidades. Dentro desse novo projeto, a banda está preparando seu primeiro videoclipe, mas a música escolhida ainda é uma surpresa. No entanto, todos os fãs e amigos serão convidados para fazer uma participação especial em algumas cenas da gravação do clipe. Por isso é legal ficar ligado, pois o EP é apenas o primeiro lançamento do projeto Dias em Claro.

Ouça em: http://www.myspace.com/upbrothers

segunda-feira, 12 de julho de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CAMPUS 6 ROCK BAR – MOGEE DOS CREIZES - 10/07/2010

Bandas: The Walkie Talkies / Conte-Me Uma Mentira / Jane Dope / Up Brothers

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Nynona

Pois é mermão, você que pensa que é fácil essa vida de coletivo, digo-lhe de cara que estás redondamente enganado... Nunca passamos por tantos imprevistos e pepinos como nessas últimas duas edições do Lumière. O de Pinda já foi descrito aqui embaixo e, no final, tudo deu certo. Pois bem, o de Mogi, já marcado há pelo menos uns 3 meses para acontecer na Divina Comédia, viu tudo evaporar-se quando recebemos a notícia na terça-feira passada que o Alê havia quebrado o tornozelo num kick flip reverse e infelizmente não teria condições de abrir a casa (alô Alê! O BM te deseja melhoras, querido!), então para mantermos a agenda de pé e honrarmos com as bandas, corremos para nossos incríveis parceiros do Selo Sem Sê-lo e fomos abruptamente bem recebidos de forma que o Festival ocorresse sim em Mogi, porém no mais bacana rock bar da cidade, o bom e velho Campus 6.

Com apenas 60% do coletivo presente (Henrique e Thânia estavam em viagem), eu, Andrea e Zé fomos surpreendidos pela insaciável boa vontade dos irmãos Odorizzi João, Elmo e Eder que revezavam no bar, além da shoozona Nanda Azevedo e do nosso cartazeiro oficioso Gabz Ronconi que deram uma puta força no controle da entrada. E sem contar o guerreiro fotografista KBÇA Corneti que, através de ônibus e trem, veio sozinho lá da Freguesia do Ó apenas pra montar a exposição de fotos dos nossos parceiros retratistas. Essas pessoas foram essenciais para que o Festival rolasse de boa, sem elas não seríamos nada! Toda palavra aqui parecerá pouca para agradecer tudo que fizeram, vcs são foda!


Com um inovado mapa de palco desenvolvido pelo graaaande Eder, as bandas ganharam maior espaço no palco do Campus e houve ainda uma melhora notável no som sendo que os amplis viraram retorno e todos se ouviam com grande nitidez. E foi assim que os paulistanos da The Walkie Talkies, capitaneados pelo gente boníssima Renato Ribeiro, mostraram pela primeira vez ao público mogiano seus ótimos sons de referências pós-punk, revestidos em características dançantes dos anos 00 no melhor estilo Franz Ferdinand, The Bravery e The Fratellis, que acabou agradando várias pessoas que inclusive pediam cds pros caras. Pena que ainda não possuem (a banda é relativamente nova), mas quando tiverem material pronto, podem voltar carregados pra Mogi sem medo, pois certamente a gurizada irá cair de ouvidos!

A essas alturas já havia uma grande parte de rostos conhecidos da tal cena mogiana no local, dentre os quais se destacavam Dan Sevali, Athos Araújo, Zelenski, Phael, Alê Lima, Erik Cardoso, Giovana Machado, Aninha Tomeh, Gummercindo, Duda Citriniti, Felipe Lima, Rafael Gomes, Marcelo Menezes, Vitor Leonardo, Maurício “Grilo”, Natacha “Natty” Galvão, Diego, Cícero, a incrível e sempre saltitante Camilona, além das amadas, lindas e queridíssimas Claris (sim, ela veio!) e Nynona, que assina aqui todos os retratos da noite.

Todo esse povo mais uma galera considerável presenciaram uma apresentação rasgada e cheio de gás dos fellas do Conte-Me Uma Mentira que abriram de cara com Fogo No Céu, já visível e completamente satisfeitos com os seus amigos!! Jel, Caio, Thiago e Pablito tocaram com muito feeling e tesão sons do disco “O Vôo do Pássaro” e demonstraram estar se divertido naturalmente em cima do palco em dia inspiradíssimo. Apresentações do C1M serão sempre diversão garantida pra quem sabe e curte o que é a essência do rock e quem tava lá não me deixa mentir (com o perdão do trocadilho).

Colado neles, a Jane Dope subiu ao palco em sua nova formação “de 4” e mandou um set baseado no que vem tocando durante a divulgação de seu primeiro EP (que parece ter-se esgotado) com uma remodelação sonora já aparentemente adequada ao novo formato. Eder e Regis (este vestido de advogado indie, disseram) finalmente se entenderam nas guitarras enquanto Andrea e Nanda continuam na cozinha, fazendo ótimos quitutes, docinhos e comidinhas afins para a puta exacerbada, louca, insana e cheia de amor mal compreendido para dar pra quem quiser... enfim comer.

Fechando o Lumière Mogi do inverno de 2010, os paulistanos da Up Brothers guiados pelo vocal e colaborador do BM Rick Renan também fizeram seu debut na cidade do caqui, da festa do divino e dos cogumelos shimejis, mostrando um trabalho sólido através dos sons lançados em seu primeiro EP entre eles Ana, Uma Espera e Quem Foi?, que remetem bastante a bandas como Silverchair e Incubus, além de um som novo cantado em inglês, que parece ser o primeiro deles na língua de Shakespeare. Tanto a Up Brothers quanto a The Walkie Talkies tiveram ótima aceitação e foram super bem recepcionadas na cidade, o que deve provocar uma volta delas em breve a estes confins alto-tietênicos.

Apesar da semana tensa e da pouca divulgação feita justamente por causa dos empecilhos ocorridos, conseguimos (graças à força imprescindível do fiel público mogiano e aos combatentes do Selo Sem Sê-lo) fazer com que o resultado final fosse positivo para as bandas e, mais uma vez, nós do BM nos sentimos realizados fazendo aqui na cidade o que tem que ser feito: sendo uma engrenagem na circulação das bandas, levando as locais para fora e trazendo as de fora para cá, ou seja, um simples intercâmbio cultural funcional. Nada mais justo após isso tudo então, que queimar um papinho e fazer um pistop no Habib’s para um lanche mata-larica-monstra, muitíssimos bem acompanhados pelos não menos guerreiros Renato Gimenez (da infernal Vincebuz) e Cris Tavelin (da revivida Drama Beat e colaboradora BM) que tiveram a moral de sair lá de Sampa pra “dar uma passadinha” no Campus 6. E aí, tens a manha de cair nesse braço de ferro, mermão?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE no CIDADÃO DO MUNDO (São Caetano do Sul)

Efeitos noturnos do ABC

Texto por Cris Tavelin
Fotos por Daniele Guiral

Um lugar sem placas, com algumas indicações que fazem pobres motoristas caírem na contramão – São Caetano do Sul pode confundir as visitas, mas acho que ninguém se importou com isso no final da noite sábado. A pedida era o Festival Lumière, que aconteceria no Cidadão do Mundo.

E a movimentação começou cedo por lá. Oito horas da noite apareciam os primeiros gatos pingados – entre eles, eu – tomando drinks coloridos em copos de plástico. A rua parecia fazer parte de algum bairro residencial, sensação que destoava apenas com a pichação do muro indicando que “punks do ABC” estiveram por ali. Do outro lado da calçada, estrelas cintilantes nasciam de um possível curto circuito no poste.

Enquanto alguns bebiam e tentavam montar cubos mágicos do lado de fora, a Jane Dope começava a montar o palco para se apresentar. As linhas de guitarra/teclado/baixo, por vezes uníssonas aos vocais, e a variação no tempo das músicas – que remetiam a um grunge perdido no meio de batidas mais dançantes – foram aspectos presentes do início ao fim da apresentação.


Os detalhes mais interessantes ficaram por conta de uma das guitarras: um delay meio atmosférico deixava um som etéreo no ar, quase nostálgico. Lembrei-me de efeitos similares que o Bowie usava em alguns álbuns do final dos anos 70 / início dos 80, a visão de Christiane F. jogada na sarjeta e o barulho de sirenes percorrendo os cantos de uma Alemanha despedaçada por anos de guerras físicas e mentais.

A bateria, em questão de dinâmica, também se destacou, entre momentos de uma calmaria quase lullaby e outros de caixas e pratos "à volonté". Os vocais na Radiograve, que dividem em tom infantil, parecem mais ter vindo de algum filme trash dos anos 80 com crianças psicodélicas e bonecos assassinos (vide a capa do EP deles, talvez diga algo a respeito). Diria que a Jane carrega uma doçura pervertida em suas músicas, alternando momentos viajantes com partes mais simples e diretas.

Na sequencia, os efeitos, antes mais sutis na Jane, viriam com força no Seamus. Deixando de lado definições superficiais como “noise”, “guitar” e todas suas variações, a grandeza do show deles se deu na mescla de baixo e guitarra: enquanto os graves cantavam melodias intensas e bonitas, por um lado, a guitarra principal gritava, escandalosa, do outro. No meio disso tudo, a guitarra base dava apoio aos dois lados, junto à bateria.


É como se a mesma história fosse contada paralelamente, de formas diferentes, criando um contraste entre a angústia cheia de efeitos e a beleza melódica que lhe dava chão. Nessas horas penso que realmente esses dois conceitos – beleza e angústia - andam de mãos dadas.

Em determinado momento, o guitarrista larga as cordas e leva as mãos à cabeça. Na minha inocência de espectadora, achei que fosse algum tipo de performance esquizofrênica do tipo “onde estou”, mas era apenas a microfonia dando seus ataques corriqueiros aos que gostam de pedais de efeito. Nem tudo é tão romântico numa apresentação ao vivo...

Depois do abalo causado pela sonoridade um tanto sensível e áspera do Seamus, o Narcotic Love entrou com músicas mais dançantes, feitas de baixo, bateria e voz mais bases de guitarra e algumas baterias eletrônicas gravadas. Bom para manter o tempo, mas não consigo me empolgar com gravações executadas durante shows, falando especificamente de guitarras.


O mundo já é digital demais e eu sou mal humorada o suficiente para não aceitá-lo com minhas idéias retrógradas de anos 70 e toda aquela coisa de instrumentos espetados direto no amplificador, quase uma extensão das vísceras de quem os toca. Acho que nesse quesito se perde um certo torpor que existe quando uma pessoa empunha uma guitarra – e, cá pra nós, nunca se sabe realmente o que ela vai fazer com aquilo. Mas isso é só minha opinião. As pessoas bebiam e dançavam em frente ao palco, felizes da vida. Ponto pra eles.

Seguindo a noite, o Up Brothers entrou na sequencia com pop-rock cantado em português. No momento em que eles estavam no palco, eu me encontrava do lado de fora, numa conversa que não poderia deixar de ter (o mistério das noites de sábado embaixo de postes de luzes amarelas, existe algo melhor?).


Fui informada por minhas fontes exclusivas e bêbadas que a apresentação “destoou do som esquizóide das outras bandas (nada como adjetivos estranhos para resumir estilos musicais), porém honesto e muito bem executado. Uma palavra pra defini-los talvez seja ‘radiofônico’”. Achei coerente a definição, vou adotá-la.

Por último e para acabar com a expectativa gerada em torno de sua estreia nesse novo circuito (apenas nesse circuito, porque a banda já é de longa data) a Glassbox entra na sua caixa de vidro ambulante e executa sensações estranhas de dentro dela.


Detalhe admirável: são poucos power trios que realmente seguram a onda ao vivo, em qualquer estilo que seja. E quando se pensa nos arpejos incessantes das músicas deles, seguros apenas por um vocalista/guitarrista, isso é quase um milagre. O baterista sofreu até o fim - com ritmos baseados em viradas ininterruptas apoiadas nas peças graves, o tribal contrastava com o chorus e o flanger que não largavam as cordas da guitarra. Melodias percorriam o tempo ficando mais densas ou sutis com a voz aguda as empurrando para frente, num ritmo tenso e nada confortável – uma zona de reflexão incômoda e necessária. É, acho que eles chegaram onde queriam.

Com tantos estilos diferentes na mesma noite, que se casam de alguma forma estranha no emaranhado de sensações que transmitem, pode-se dizer que cada apresentação foi peculiar. E a conexão que se deu entre pessoas que passeiam por tantas vertentes do rock e, por vezes, têm concepções diversas sobre tantos assuntos, foi o ponto alto do evento. As ideias compartilhadas musicalmente e verbalmente devem reverberar muito além desse último final de semana.