segunda-feira, 12 de julho de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CAMPUS 6 ROCK BAR – MOGEE DOS CREIZES - 10/07/2010

Bandas: The Walkie Talkies / Conte-Me Uma Mentira / Jane Dope / Up Brothers

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Nynona

Pois é mermão, você que pensa que é fácil essa vida de coletivo, digo-lhe de cara que estás redondamente enganado... Nunca passamos por tantos imprevistos e pepinos como nessas últimas duas edições do Lumière. O de Pinda já foi descrito aqui embaixo e, no final, tudo deu certo. Pois bem, o de Mogi, já marcado há pelo menos uns 3 meses para acontecer na Divina Comédia, viu tudo evaporar-se quando recebemos a notícia na terça-feira passada que o Alê havia quebrado o tornozelo num kick flip reverse e infelizmente não teria condições de abrir a casa (alô Alê! O BM te deseja melhoras, querido!), então para mantermos a agenda de pé e honrarmos com as bandas, corremos para nossos incríveis parceiros do Selo Sem Sê-lo e fomos abruptamente bem recebidos de forma que o Festival ocorresse sim em Mogi, porém no mais bacana rock bar da cidade, o bom e velho Campus 6.

Com apenas 60% do coletivo presente (Henrique e Thânia estavam em viagem), eu, Andrea e Zé fomos surpreendidos pela insaciável boa vontade dos irmãos Odorizzi João, Elmo e Eder que revezavam no bar, além da shoozona Nanda Azevedo e do nosso cartazeiro oficioso Gabz Ronconi que deram uma puta força no controle da entrada. E sem contar o guerreiro fotografista KBÇA Corneti que, através de ônibus e trem, veio sozinho lá da Freguesia do Ó apenas pra montar a exposição de fotos dos nossos parceiros retratistas. Essas pessoas foram essenciais para que o Festival rolasse de boa, sem elas não seríamos nada! Toda palavra aqui parecerá pouca para agradecer tudo que fizeram, vcs são foda!


Com um inovado mapa de palco desenvolvido pelo graaaande Eder, as bandas ganharam maior espaço no palco do Campus e houve ainda uma melhora notável no som sendo que os amplis viraram retorno e todos se ouviam com grande nitidez. E foi assim que os paulistanos da The Walkie Talkies, capitaneados pelo gente boníssima Renato Ribeiro, mostraram pela primeira vez ao público mogiano seus ótimos sons de referências pós-punk, revestidos em características dançantes dos anos 00 no melhor estilo Franz Ferdinand, The Bravery e The Fratellis, que acabou agradando várias pessoas que inclusive pediam cds pros caras. Pena que ainda não possuem (a banda é relativamente nova), mas quando tiverem material pronto, podem voltar carregados pra Mogi sem medo, pois certamente a gurizada irá cair de ouvidos!

A essas alturas já havia uma grande parte de rostos conhecidos da tal cena mogiana no local, dentre os quais se destacavam Dan Sevali, Athos Araújo, Zelenski, Phael, Alê Lima, Erik Cardoso, Giovana Machado, Aninha Tomeh, Gummercindo, Duda Citriniti, Felipe Lima, Rafael Gomes, Marcelo Menezes, Vitor Leonardo, Maurício “Grilo”, Natacha “Natty” Galvão, Diego, Cícero, a incrível e sempre saltitante Camilona, além das amadas, lindas e queridíssimas Claris (sim, ela veio!) e Nynona, que assina aqui todos os retratos da noite.

Todo esse povo mais uma galera considerável presenciaram uma apresentação rasgada e cheio de gás dos fellas do Conte-Me Uma Mentira que abriram de cara com Fogo No Céu, já visível e completamente satisfeitos com os seus amigos!! Jel, Caio, Thiago e Pablito tocaram com muito feeling e tesão sons do disco “O Vôo do Pássaro” e demonstraram estar se divertido naturalmente em cima do palco em dia inspiradíssimo. Apresentações do C1M serão sempre diversão garantida pra quem sabe e curte o que é a essência do rock e quem tava lá não me deixa mentir (com o perdão do trocadilho).

Colado neles, a Jane Dope subiu ao palco em sua nova formação “de 4” e mandou um set baseado no que vem tocando durante a divulgação de seu primeiro EP (que parece ter-se esgotado) com uma remodelação sonora já aparentemente adequada ao novo formato. Eder e Regis (este vestido de advogado indie, disseram) finalmente se entenderam nas guitarras enquanto Andrea e Nanda continuam na cozinha, fazendo ótimos quitutes, docinhos e comidinhas afins para a puta exacerbada, louca, insana e cheia de amor mal compreendido para dar pra quem quiser... enfim comer.

Fechando o Lumière Mogi do inverno de 2010, os paulistanos da Up Brothers guiados pelo vocal e colaborador do BM Rick Renan também fizeram seu debut na cidade do caqui, da festa do divino e dos cogumelos shimejis, mostrando um trabalho sólido através dos sons lançados em seu primeiro EP entre eles Ana, Uma Espera e Quem Foi?, que remetem bastante a bandas como Silverchair e Incubus, além de um som novo cantado em inglês, que parece ser o primeiro deles na língua de Shakespeare. Tanto a Up Brothers quanto a The Walkie Talkies tiveram ótima aceitação e foram super bem recepcionadas na cidade, o que deve provocar uma volta delas em breve a estes confins alto-tietênicos.

Apesar da semana tensa e da pouca divulgação feita justamente por causa dos empecilhos ocorridos, conseguimos (graças à força imprescindível do fiel público mogiano e aos combatentes do Selo Sem Sê-lo) fazer com que o resultado final fosse positivo para as bandas e, mais uma vez, nós do BM nos sentimos realizados fazendo aqui na cidade o que tem que ser feito: sendo uma engrenagem na circulação das bandas, levando as locais para fora e trazendo as de fora para cá, ou seja, um simples intercâmbio cultural funcional. Nada mais justo após isso tudo então, que queimar um papinho e fazer um pistop no Habib’s para um lanche mata-larica-monstra, muitíssimos bem acompanhados pelos não menos guerreiros Renato Gimenez (da infernal Vincebuz) e Cris Tavelin (da revivida Drama Beat e colaboradora BM) que tiveram a moral de sair lá de Sampa pra “dar uma passadinha” no Campus 6. E aí, tens a manha de cair nesse braço de ferro, mermão?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

BEQUADRO MOSTARDA & SELO SEM SÊ-LO APRESENTAM:


FESTIVAL LUMIÈRE NO CAMPUS 6

Bandas:
CONTE-ME UMA MENTIRA (Mogi)
UP BROTHERS (Sampa)
WALKIE TALKIES (Sampa)
JANE DOPE (Mogi)

Disco: Gabz (indie rock, modernetes, trash metal, punk e otto)

Fotografistas: Stéfano Martins / KBÇA Corneti / Carol Ribeiro

Dia 10/07/2010
A partir das 18h
Entrada: R$ 4 dinheiros
Campus 6 Rock Bar
Av. Prefeito Carlos Ferreira Lopes, 215 - Mogilar

segunda-feira, 5 de julho de 2010

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ CERVEJARIA ÓBVIO – PINDA – 03 & 04 /07/2010

03/07/2010 - Sábado
Bandas: Xtreme Blues Dog / Seamus / Popstars Acid Killers / Bristol

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Stéfano Martins


Rumo a mais um Festival Lumière na sempre apazível Pindamonhangaba onde até no inverno a cidade se mostra quente - talvez reflexo da hospitalidade e cordialidade que sempre temos à nossa disposição quando lá - o clima que pairava no ar já era notado desde nossa chegada. Apesar de, logo de início, parecer que alguns imprevistos denotariam que tudo pudesse dar errado (as bandas Difuzz de Suzano e Refluxo de Sampa cancelando ambos suas apresentações nesta noite, praticamente em cima da hora), a gurizada do Coletivo Bequadro Mostarda não se fez de rogada e conseguiu – num mix de rápida articulação com uma boa gotinha de sorte - preencher o vácuo que acabara de formar-se. Assim a local Bristol entrou substituindo a banda suzanense enquanto a sensacional monobanda do Roger Duran aproveitou o vácuo deixado pelo duo paulistano que infelizmente não pode vir, e é com ela que tudo começou, já lá pelas 22h do sábado, primeiro dia de festival.

O grande barato da monobanda é sacar como a flexibilidade e versatilidade do músico é expressada e isso o Roger Duran faz com tranquilidade quando tudo fica calmo, e com um tesão desmedido da porra quando o lance pega fogo. Guita distorcida sob seus braços ligada no talo e rasgando melodias blueseiras, bumbo psicótico sendo esmurrado pelo seu pé direito numa constância macabra dos infernos, pé esquerdo comandando um chimbal alucinático como aquele feto desesperado que está louco pra sair do ventre materno clamando urgentemente por um fórceps, gaita louca e acelerada como uma locomotiva que entra em ação quando ele não está mirando o mic balançante com sua boca para acertá-lo em cheio com sua voz para nos alegrar com seus incríveis blues no melhor estilo John Spencer Blues Explosion – mas claro que isso trata-se apenas de uma minúscula referência. Essa é uma pequena descrição do que um set da monobanda Xtreme Blues Dog pode fazer com e por você. Absolutamente recomendável, nem precisa frisar.


Com a casa enchendo em progressão artimética, tivemos mais um dos ótimos sets dos anfitriões da Seamus brindado os ouvidos dos amigos e curiosos com uma impecabilidade sonora e precisão tamanha que dá gosto de se ouvir e de se ver. Tudo leva a crer que Hate Campaign (uma das favoritas da casa) entrou definitivamente no setlist dos caras que recheou ao lado de When I Quit My Lens e Modern Dance (essa levou a gurizada à piração) o set, aberto com Red e finalizado com uma incrível e devastadora Experiences with Broken Glass com direito a vários e prazerosos minutos de microfonias subsequentes e efeitos praticados ininterruptamente pelos 3 moços das cordas como se tudo fosse terminar ali (ou como se fossem meu sobrinho chapando e hipnotizado pelo wii, ou como se fossem eu mesmo - décadas atrás - chapado e hipnotizado pelo atari) enquanto o moço das peles se divertia nos pratos e contâncias como se fosse um Steve Shelley pindense. Biscoito fino.


Na discotecaria, Gabz Ronconi mostra-se especializado no que quer e gosta de tocar, antes e após todas as bandas. Os exemplos já foram dados em texto anterior e não repetirei-me aqui. Quer saber, vai lá! O fotografista e moço-de-fazer-retratos Stéfano Martins montou uma bela vernissage com obras suas e de KBÇA Corneti e Carol Ribeiro que atraiu a atenção de uma boa parcela de incautos – ou seja, missão cumprida.

Meia noite batendo no relógio, relativamente cedo ainda para uma balada rocker, queimando papinho ali embaixo com queridos até subir correndo ao ouvir os primeiros acordes da furiosamente incrível Popstars Acid Killers, que tem como seu frontman o mesmo Roger Duran que transpira rock por todo lado: seja enquanto canta, seja enquanto rasga sua guita, seja enquanto atropela tudo que encontra pela frente em sua performance arrasadora. Só faltou o mortal. Ou não? Aí o lance funciona assim: ao lado do Roger sua esposa Carol Doro com seu belíssimo baixão semi-acústico e seus longos cabelos loiros segura a onda que vem dele e de um também insandecido Renato Roitman que pode aqui ser facilmente retratado como o Keith Moon paulistano graças à influência certamente herdada. A porrada do PAK falou tão alto na Óbvio que fez com que simplesmente TODOS que estavam lá fora adentrassem ao ambiente fervilhante para verem com os próprios olhos o que era aquilo, enquanto o proprietário Edilson fazia ali uma sequência de fotos destinadas provavelmente ao site da Cervejaria. Sucesso total. Ao final do set, fiz questão de dizer aos 3 PAK’s que eles sim, eram roqueiros de verdade!


E encerrando o sábado numa vibe mais tranquila, a Bristol (que também ficou sujeita a quase não tocar no dia devido a falta do batera original, que foi ótimamente substituido por uma simpática – e alta - baterista) agradou bastante a galera que saiu de casa pra beber um bom róque de eflúvio noventistas em guitarras de riffs dissonantes, em violão de base por vezes ruidosas e por vezes calmas e em uma cozinha esperta, aveludadas por uma linha vocal melódica do ótimo garoto Rubens. Ou seja, saldo final super positivo para um festival que poderia – sim, poderia – ter dado errado pelas inconstâncias iniciais, porém superadas graças às bandas, ao pico e principalmente a galera. Do róque.




04 /07/2010 - Domingo
Bandas: Jane Dope / Maquiladora / Ike (Acting Alone) / Elísio-Sin Ayuda

Texto: Vinícus Pacheco
Fotos: Stéfano Martins

Segundo dia de Lumière e uma dúvida, como eu vou?
Tudo bem, só de descobrir que lá na Cervejaria Óbvio tinha amplificador de baixo já foi um alivio.

Ao chegar a Pinda, fui direto pra casa do queridão Ike, onde Pedrinho e Thami também flutuavam. Tomamos alguns drinks e partimos para a Óbvio. Ao chegar lá, me deparo com show diferentão da Jane Dope. De formação nova, sem Duda (Teclado) nem Marcelo (Guitarra), mas com Eder no controle das 6 cordas, eu cheguei bem na hora da Homeless Duck, que, aliás, é minha música preferida da Jane (A puta).

Com um formato acústico, Andréa com cajón, Regis na maravilhosa guitarra semi-acústica da Thais (Maquiladora) que estava com um reverb cremoooso, Nanda nas 4 cordas e Eder no Violão, fizeram uma apresentação muito gostosa de se ouvir/ver/estar-presente...

Na sequência veio a Maquiladora, em conversa com Henrique no dia anterior, soube meio por cima que a “bluezeira” ia comer solta. Na hora em que ouvi “Too Much Wine” foi o ápice feeling no show, arranjos que mudaram as músicas reinavam, mas todo mundo sabia que era Maquila... Genial.



Entre uma conversa enfumaçada aqui, uma DaDo Bier (que pasmem, estava 2,50) ali, o Ike com seu projeto (Acting Alone) veio acompanhado dos Seamus Pedrinho e Zé. Com sons que já estão gravados e estão no space do rapaz, o repertório foi bem legal, mandando ver Blackbird, creditada a Lennon-McCartney, que rolou no medley com uma de suas músicas, que por sinal estavam muito bem arranjadas com as linhas gordas de baixo do senhor Pedrinho e as baquetadas precisas de Zé Ronconi.


E pra fechar a noite, o que eu espero que não seja o último show da turnê Elísio-Sin Ayuda, subimos ao palco, e já era tarde. Mais de dez horas e agente no esquema mais “power” da noite, com distortion e tudo mais começamos com “Pra lá com nós” bem na moral... Com set curto de 6 músicas, foi bem rápido e ao encerrar com “Advice From A Grandmother Gull” sinto mais uma vez, com dever comprido.


O mais interessante desta noite foi ver duas bandas que usualmente fazem rock com distorções (Jane Dope + Maquiladora) sentarem nos banquinhos para uma vibe totalmente acústica enquanto os projetos que inicialmente são acústicos serem apresentados aqui com guitarras, distorções e formato de banda, como fizeram Ike e o Sin Ayuda (aqui muito bem ajudado pelos rapazes da Elísio).

Sábado agora tem mais Festival Lumière em Mogee dos Creizes. E ai o bicho volta a pegar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Festival Lumière @ Óbvio em dose dupla!

Serão 2 dias de orgia rocker neste finde na Óbvio, em Pindacity.

Dia 03/07 - Sábado às 20h
Seamus (Taubaté/Pinda)
Refluxo (Sampa)
Bristol (Pinda)
Popstars Acid Killers (Sampa)

Dia 04/04 - Domingo Acústico às 19h
Jane Dope
Sin Ayuda + Elísio
Ike
Maquiladora

::Nos 2 dias vai rolar::
Discotecagem:
Gabriel Ronconi
&
Exposição de Fotografias:
Stefano Martins (Pinda)
Oswaldo Corneti (Pinda)
Carol Ribeiro (SP)

Local: A já tradicional Cervejaria Óbvio
R. Prudente de Moraes, 222 Centro, Pinda.
Entrada R$6.

[Arte: Gabz Ronconi]

Matérias publicadas nos veículos locais sobre o Festival Lumière:

:: Jornal O Vale ::
http://www.ovale.com.br/cmlink/o-vale/viver/final-de-semana-do-rock-em-pinda-1.19924

:: Portal Agora Vale ::
http://www.agoravale.com.br/agoravale/noticias.asp?id=24459&cod=1

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BEQUADRO MOSTARDA NO MUNDO:

Twitter siga: @bequadromostarda
Mypace (Novidades e audio das bandas vão tocar nos eventos do coletivo)
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR

RESENHA: FESTIVAL LUMIÈRE @ BEBOP MUSIC BAR – TAUBATÉ - 19/07/2010
Bandas: Seamus / The Vain / Maquiladora / INI / Jane Dope

Texto: Regis Vernissage
Fotos: Carol Ribeiro & Stefano Martins

Contrariando o gelo que vinha fazendo nas semanas anteriores, este sábado demonstrou-se mais brando em relação à quantidade de roupas que deveríamos levar para a sempre quente Taubatéxas. Chegar ao centro foi coisa fácil e pouco antes de aportarmos na Bebop, encontramos sentados na mesa de num bar de esquina os ilustres Fernando Lalli e Vinícius Pacheco que saboreavam um prazeroso malte dos deuses enquanto se encarregavam de nos informar que naquele instante os meninos imprestáveis da The Vain passavam o som no pico. Lá chegando, tratamos de logo descarregar os instrumentos e fazer o check-in na casa, que se trata de um sobrado que possui bela decoração rocker, mesas de bilhar (que me lembram da chegada triunfal de Stéfano, oh Sté...) e vários ambientes extremamente aconchegantes. Num deles, no piso superior, foi montada a vernissage dos fotógrafos Stéfano Martins, Carol Ribeiro e KBÇA Corneti que causou frisson durante um bom tempo, uma vez que antes do início das apresentações das bandas o movimento no cômodo designado fora intenso e repleto de roqueiros e roqueiras que apreciavam o belíssimo trabalho que os 3 fotógrafos vêm fazendo. Em dado momento, parecia que o bar inteiro estava lá em cima devido tamanha movimentação, tudo isso animado pela sempre incrível discotecagem do onipresente Gabriel Ronconi que flutua com extrema facilidade entre Slayer e Tom Waits, entre Dinosaur Jr e Motorhead, entre At The Drive-In e Otto...

E então com todas as bandas já presentes foi feito o sorteio da ordem das apresentações. Eram exatamente 23h quando o Seamus tratou logo de abrir a noite com um setlist arrebatador sob o comando de um inspiradíssimo Luis Meteoro & seu delay assassino onde pouco se deu tempo sequer para respirar. Tudo colado assim: Red, Modern Dance, A Year Without Breathing, Blame e Hate Campaign, inclusive essas 3 últimas costuradas da mesma maneira que escutamos no cd SOTCYL. Coisa fina. Coisa para ouvidos atentos. Fiquei sabendo que a banda não ensaia há tempos, mas não importa para nós - simples e mortais tietes - o que acontece lá dentro entre eles, única coisa que deixo aqui bem claro é que música boa e de qualidade “não vira” aqui nestes confins varonis do planeta. Seamus é for export, é pra Glastonbury, é pra Reading, é pra P.A. profi for real.


O mesmo podemos dizer da “relativamente nova” orientação sonora praticada pelos malucos da The Vain que tocaram na sequência seu rock dançante de pegada européia. Apesar da ótima qualidade de som encontrada na casa, fiquei imaginando como seria ouvir num “P.A.zão” de fest gringo as guitarras corrosivas da Guilty Pleasures, os efeitos viajeiras da Modern Kidnapper e a linha de baixo da incrível Gold, músicas que abriram o set da banda e integram seu recém lançado EP Modern Kidnapper. E mais, há tempos não ouvia uma abrasividade sonora tão grandiloquentemente noisy (essa terminologia foi a que mais se aproximou do que esses vândalos fizeram no palco) no encerramento do set deles. Coisa linda de morrer! (Vai aqui a dica para quem é de Mogi: neste sábado 26/06 eles estarão na Divina Comédia  absolutamente imperdível!)



Era então hora da Maquiladora mostrar para Taubaté os ótimos sons do seu My Silent Van Gogh como Loc9Nat, Walk Among, Cheap Perfume e Iceberg, sem se esquecer de clássicos como a alcoólatra Too Much Wine que sempre dá brecha para a roda de pogo estabilizar-se perante a galera que impreterivelmente fica de 4 com a qualidade sonora apresentada pela banda. Mais uma vez foi ouvida durante o show a máxima que já está se tornando corriqueira em apresentações Maquiláticas, a tal “DEPILA ELE!”... Um dia hei de descobrir quem foi o Zé que hypou esta máxima... Hora então de queimar um papinho “Con Ayuda” ali fora pra absorver e “tentar reparar” o dano causado pelas 3 bandas e, ao mesmo tempo, preparar terreno para o que havia de vir.


Talvez toda e qualquer palavra que eu tentar expressar aqui será redundante ou sequer conseguirá passar para você, nobre leitor, o que significa ter a 3 metros de você os sorocabanos da incrível INI alterando momentos extremamente barulhentos com uma calmaria que chega a ser muda, agregando-se doses cavalares de psicodelia (principalmente por parte da guita efervescida de Rick Rave) além de uma forte camada de testosterona fluindo por suas composições, sem ser metal nem punk nem crossover. Aliás, sem definições aqui, ok? A INI não foi feita para ser definida, apenas contemplada. Preferencialmente boquiaberto. Tente sobreviver após testemunhar, como disse - a 3 metros de você, uma sequência de Bandeira de Holerites, Do Abismo e o Abismo, Cru, Tché, Becos Ossos Meus e a sensacional performance de palco desses malucos! Eu piscava vorazmente tentando morder meu maxilar e me beliscava constantemente pra saber se ainda estava vivo até então... Minutos mais tarde, afinando instrumentos no backstage para o set da Jane Dope, estava completamente atordoado com a potência sonora da INI que, em minha opinião, resolveu a noite com sua sensacional Caixa do Macaco.


Foi tudo muito rápido, olhei no celular pra fazer o efeito louco da intro Dopióide e acusava 2h20, ajeitamos então os efeitos necessários praquela sensacional musiquinha sopa, diria trilha sonora de motel barato, seguida de uma breve bolha para abrir nossos serviços para os poucos amigos que ainda restavam na noite (a grande maioria estava lá indiscutivelmente para ver Seamus e The Vain - mas teve uma rapa de sortudo que ficou e pirou com Maquila e INI) incluindo aí as guerreiras Gigi, Camilona, o graaaande Gummer e nossa incrível ex Duda Itálica dos Teclados, acompanhados pelos INI sangue boníssimos, os irmãos Ronconi e mais uns 3 ou 4 sobreviventes da apresentação do INI. Para a Jane Dope foi interessante, nos sentimos como fazendo um ensaio aberto para amigos queridos, tocando os 4 sons do EP, versões remodeladas para a nova formação “de 4” (uiui) da Nap e Radiograve, além das novas Jane Dope: A Diamond On The Road, Oh Ann e MissJeeJee que deverão também fazer parte de nosso próximo trabalho de estúdio. Por ser o primeiro show com a formação nova “de 4” com nosso grande (enooorme) Eder Odorizzi, acreditamos ter cumprido nosso papel junto à puta Jane, apesar dos erros que são naturais e os palcos estão aí para isso mesmo, para improvisarmos a vida.



A volta para casa enfim ao som do novíssimo Heligoland pra acalmar a gurizada, o pitstop já tradicional no Frango Assando, os pedágios e serras, a entrega da rapeize e a chegada em casa no alvorecer dominical de uma fria manhã de junho não mentem: a satisfação e o zunido no ouvido adquiridos indicam que chegamos de mais um Festival Lumière. E julho está batendo em nossas portas com Lumière em Pinda na Choperia Óbvio em dose dupla (dias 03 e 04) e na semana seguinte em Mogi na Divina Comédia (dia 10). E então, vai ficar aí paradão?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

19/06/2010 - FESTIVAL LUMIÈRE EM TAUBATÉ!

Bandas:
The Vain (Taubaté)
Maquiladora (Mogi)
Seamus (Taubaté/Pinda)
INI (Sorocaba)
Jane Dope (Mogi/SP)

Discotecagem: Gabriel Ronconi

Exposição de Fotografias:
Carol Ribeiro (SP)
Stefano Martins (Pinda)
Oswaldo Corneti (Pinda)

Local: Bebop Music Bar
R. Coronel Marcondes de Mattos, 128, Centro, Taubaté.

Às 20h.

Entrada a R$5.

[Arte: Luis Meteoro]

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

SINFONIA DE CÃES

Texto:

Fotos:
SINFONIA DE CÃES
05.06.2010



E é claro que nos perdemos pra chegar na Garagem dos Cães. Aí que fomos pela Marginal Tietê. Sofrível. Se ainda não passou por lá, você não sabe a zona que estão umas faixas. Aí você tá indo, de repente aquela faixa que você achava que ia pra um lado começa a virar uma entrada pra uma ponte e aí quando você vê já era. Perfeito. Porra, Kassab!

Enfim, deu errado mas depois até que deu certo, quando do nada surge uma placa “Jardim Japão”. Aí fizemos uma manobra canta pneu mirabolante e acertamos o rumo. Pra evitar erros maiores paramos em um posto pra tirar as dúvidas: “moça, é por aqui que chega no Jardim Japão?”. “Ixi... Marinélsa, é você que mora por ali?” “Eu!? Sei não...”. Maravilha...

Quando chegamos na garagem dos cães já tinha uma galera ali, as Maquiladoras passando o som, Roger e Carol recebendo o povo, Loucas estampando umas camisetas, lanchinho, cervejinha. Tudo a lá Milton Leite: ‘que belêêêza..”

E não é que a Garagem é mó estilósa? O pico é uma área totalmente residencial, é uma casa daquelas com jardim gigante, garagem gigante, área pra trocar idéia, cadeirinhas, etc. Parece mais uma Chácara dos Cães, vai vendo.

Dando um rolê pela fauna você podia trombar os Seamus articulando planos de dominação – o Bôe com camisa do Osasco era puro detalhe, as Maquiladoras contando da virada cultural em Mogi e de quando elas tocaram no mesmo palco do Mudhoney e que depois ainda teve matéria no Metrópolis da TV Cultura – vai vendo... Tinha também os Hierofantes que trombaram de frente com a pulíça mogiana no lance do Gerador Rock e o Kbeça documentando tudo e o Danilo dizendo no microfone que os cara não tavam querendo deixar eles tocar e aí a galera incendiou e começou a pesar na pulíça. Sensacional! Roger que vai sair com seu trampo xtreme blues dog pra um rolê nervoso pelo sul e vai até o Uruguai fazer um som. O Bequadro Mostarda que tá num corre de dar inveja e parece que vem coisa fu-di-da por aí. Ou seja, encontrar os amigos é sempre uma festa, dizaê.

Sim, tinha uma pá de banda, ia rolar shows etc e tal. Mas a pegada ali não eram os shows em si, o lance era a gente estar participando de uma história que começou há uns 6, 7 anos. Quando umas almas perdidas resolveram negar a normalidade das coisas e ir e fazer a sua própria história. Mesmo que isso pra muita gente seja apenas uma ilusão. Foda-se, truta. A gente precisa de ilusão, sim!

E quando a gente conheceu esses caras, lá na Galinhada do Bahia, debaixo da mó chuva, com palco pingando, cachoeira no meio da pista, todo mundo no corre, com a maior satisfação do mundo, aquilo ali deu um baque fudido. Eles tinham algo que nos fisgou na hora: Porra, eles se arriscavam! Eles eram gente sem aquela mentalidade de vítima tão característica no rock. E foi assim, que a partir dali, criamos uma brodagem pra lá de sem vergonha que dura até hoje.

Foi um dos momentos mais incríveis na nossa história, porque foi a partir daí que começamos a achar nosso lugar como banda, pois até então a gente sempre foi meio que patinho feio, saca? Nossos rolês e shows iam pela linha convencional, no caso. Tocávamos com bandas cover – mas ó, tudo bem o cara fazer um cover, tirar uma grana e tal. Isso sim é digno! Mas quando você tem seu trampo e tem de tocar uma “que os cara gosta” só pra fazer média, aí é deprê, vai...

Enfim, aí tocávamos em casas que você tinha que mandar cd, cortejar alguém, lugares bacanudos, gente que topava tudo por uma notinha no jornal, que queria “virar”, que trocavam sua integridade por uma palavra que não “pegasse mal” com alguém na mídia, gente que queria fazer a banda virar um negócio, um emprego, saca? Todo mundo tinha “seu público”, amigos influentes, gente que fazia tudo tão bonito que dava até inveja do profissionalismo. E nos rolês sempre nos disseram que nossa lógica de trabalho não ia dar em nada e que a gente tava se iludindo ao ir “contra a corrente”. Pois é, desde sempre, baby.

Mas talvez nosso maior problema é que sempre fomos muito mal organizados mesmo. Sempre preferimos ficar na mesa do boteco ao lado rindo com os amigos a ficar fazendo social, contatos, indo nas festas certas. Só que a gente não é assim por implicância, esse é nosso jeito, é como a gente funciona e sempre soubemos que um dia íamos encontrar nossa turma.

E quando conhecemos esse povo foi como se tivesse sido escancarada uma janela de possibilidades. Por exemplo, foi por intermédio deles que conhecemos uma infinidade de bandas autorais, muita gente que viria a ser nossos amigos até hoje, fizemos shows incríveis, acertamos, erramos, e ainda tivemos o prazer de participar de eventos com uma dose de emoção indescritíveis como a Invasão no Prestes Maia e mais recentemente o Cicas. E todos com uma dose cavalar de entrega, que sempre nos encorajou a ir mais e mais além.

Ah, os shows foram todos muito classe, todo mundo animado, gente cantando as músicas, fotografando, filmando e pedindo música. Apareceram até os Avon, parentes lá do Carlão de Curitiba, Paty Mori também tava lá junto ao pessoal de Mogi e por aí vai.

E é isso.

Olha só, pra nossa salvação, mesmo que o rock independente tenha se tornado um gigantesco circo, ainda temos gente que se recusa a ser conivente. E desde o nosso segundo Sinfonia de Cães, lá na Galinhada do Bahia, descobrimos que todos os cães são de outro planeta. E eles são os nossos heróis.

Um brinde, félas!